Falando de Futebol – por Junior Moresco

Memória | Por quem fez muito pelo Futebol

Há pessoas que passam pelo futebol deixando resultados.

Outras passam deixando histórias.

E existem aquelas raras que deixam legado.

Marco Antônio Martins foi exatamente assim.

Conhecido por todos como Marquinho, ele não foi apenas um árbitro assistente respeitado em Santa Catarina e no Brasil. Foi um pilar silencioso do jogo, daqueles que trabalham longe dos holofotes, mas sustentam o futebol com seriedade, ética e paixão.

Foram 15 anos dedicados à Federação Catarinense de Futebol e 10 anos no quadro da CBF, sempre com postura firme, olhar preciso e profundo respeito pela regra. Em campo, transmitia segurança. Fora dele, inspirava confiança.

E foi de forma simbólica que Marquinho encerrou sua carreira como assistente da CBF. No maior clássico do Estado, Avaí x Figueirense, em 4 de dezembro de 2011, despediu-se oficialmente dos gramados, ao atingir o limite de idade de 45 anos imposto pela entidade nacional. Um clássico à altura de quem fez história — e que tive a honra de vivenciar de perto, atuando naquela partida como Delegado. Um dia marcante para o futebol catarinense e para todos que conheciam sua trajetória.

Ao pendurar a bandeira, Marquinho não se afastou do futebol. Pelo contrário. Passou a lutar ainda mais forte por ele. À frente do Sinafesc e, posteriormente, como presidente da ANAF, tornou-se um incansável defensor da classe arbitral, brigando por dignidade, estrutura, reconhecimento e, principalmente, pela profissionalização da arbitragem brasileira. Muitas das conquistas atuais têm sua assinatura, mesmo que nem sempre reconhecida publicamente.

Na Federação Catarinense de Futebol, onde assumiu o Departamento de Arbitragem a partir de 2017 e depois foi eleito vice-presidente em 2018 e 2022, Marquinho deixou sua marca como gestor. Organizado, articulador, visionário e sempre aberto ao diálogo. Incentivou novos talentos, apostou na renovação e foi um dos grandes apoiadores da arbitragem feminina, mostrando sensibilidade e visão de futuro.

Marquinho foi mais do que um dirigente ou árbitro. Foi um homem de posições firmes, mas de coração aberto ao futebol. Defendeu a arbitragem como poucos, enfrentou resistências quando necessário e jamais se escondeu. Sempre acreditou que o futebol só evolui quando existe respeito por quem apita o jogo.

Sua partida, em 17 de fevereiro de 2024, aos 57 anos, vítima de um infarto, deixou um vazio enorme. Mas deixou também algo maior: uma trajetória limpa, honrada e profundamente respeitada. Um nome que seguirá vivo nas memórias, nos bastidores e na história do futebol catarinense.

Esta homenagem é mais do que lembrança.

É reconhecimento.

É gratidão.

Obrigado, Marquinho.

Por tudo que fez.

Por tudo que construiu.

Por tudo que deixou.

A memória permanece.

O legado é eterno.

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@falandodefutebol26
Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

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