Falando de Futebol por Junior Moresco
Saudosismo, gratidão e a certeza de que Deus escreve nossa história
Assistindo a esta Copa do Mundo, confesso que fui tomado por um sentimento muito especial. Enquanto a bola rolava nos gramados e milhões de pessoas acompanhavam mais uma vez a maior competição do planeta, um verdadeiro filme passou pela minha cabeça.
Em novembro deste ano completam-se 10 anos da tragédia da Chapecoense, um dos episódios mais marcantes e dolorosos da história do esporte mundial. E toda vez que esse momento retorna à memória, ele me faz refletir sobre algo que carrego comigo diariamente: Deus me concedeu uma segunda chance de vida.
Era para eu estar naquele voo.
Por questões documentais, não embarquei. E essa circunstância mudou completamente o rumo da minha história.
Naquela tragédia perdi amigos, colegas de caminhada e também um homem que foi muito mais do que um chefe para mim. Perdi meu mestre, Delfim Pádua Peixoto Filho.
Durante 17 anos tive a honra de trabalhar ao seu lado na Federação Catarinense de Futebol. Foram anos de muito aprendizado, convivência, desafios e crescimento. Delfim era apaixonado pelo futebol, apaixonado pela Copa do Mundo e apaixonado por Santa Catarina.
Mas os ensinamentos que recebi dele foram muito além das quatro linhas.
Delfim entendia de pessoas. Entendia de relacionamento. Entendia de articulação. Sabia construir pontes, unir lideranças, abrir portas e criar oportunidades através do diálogo, do respeito e da confiança. Com ele aprendi que os resultados mais duradouros são construídos através das relações humanas.
A vida seguiu seu curso.
Após o encerramento da minha trajetória na Federação Catarinense de Futebol, novos desafios surgiram. Novos caminhos foram apresentados e novas missões foram colocadas diante de mim.
Hoje tenho a honra de caminhar ao lado de Salmir em um projeto que busca representar Santa Catarina na Assembleia Legislativa. E nessa caminhada tenho percorrido o estado de ponta a ponta.
São centenas de quilômetros, dezenas de cidades e incontáveis encontros.
E é justamente nessas viagens que algo muito especial acontece.
Em praticamente todos os cantos de Santa Catarina encontro pessoas que fizeram parte da minha história no futebol. Dirigentes, lideranças, amigos, parceiros e profissionais que conheci ao longo daqueles 17 anos de Federação.
E a cada abraço recebido, a cada porta que se abre, a cada parceria construída, percebo claramente que estou colhendo os frutos das sementes plantadas lá atrás.
São frutos do trabalho, da lealdade, do respeito e dos relacionamentos construídos ao longo de uma vida inteira.
Por isso, ao olhar para trás, meu sentimento hoje é apenas um: gratidão.
Gratidão a Deus pela segunda oportunidade de continuar vivendo.
Gratidão pelas pessoas que cruzaram meu caminho e ajudaram a construir minha trajetória.
Gratidão ao futebol, que me proporcionou amizades, experiências e aprendizados que levo para todos os lugares.
E gratidão ao meu eterno mestre Delfim Peixoto Filho.
Tenho certeza de que ele, lá do céu, acompanha tudo isso. E gosto de imaginar que olha com orgulho para cada passo dessa caminhada, vendo que os ensinamentos que deixou continuam vivos e produzindo resultados.
A Copa do Mundo desperta emoções em qualquer apaixonado por futebol. Para mim, ela desperta algo ainda maior: lembranças, saudades, reflexões e a certeza de que Deus tem um propósito para cada um de nós.
Nada acontece por acaso.
Algumas sementes levam anos para florescer.
E hoje, percorrendo Santa Catarina, encontrando amigos de ontem e construindo os caminhos de amanhã, percebo que chegou o tempo da colheita.
Que eu siga honrando os ensinamentos que recebi, valorizando as amizades que construí e agradecendo diariamente pela oportunidade que Deus me deu de continuar escrevendo esta história.
🙏 Obrigado, Deus.
🙏 Obrigado, mestre Delfim.
🙏 Obrigado, futebol.
E obrigado a todos aqueles que fazem parte dessa caminhada.
Junior Moresco
