Falando de Futebol — por Junior Moresco
Dando sequência à nossa série Memórias da Arbitragem, hoje o assunto é raiz, é história pura, é daqueles tempos em que o árbitro entrava em campo e o jogo já tinha comando.
Hoje eu falo de um catarinense da geração antiga, um nome que marcou época no nosso futebol. Um árbitro que eu não trabalhei diretamente, mas que vi apitar grandes jogos e, principalmente, ouvi histórias que mostram o tamanho que ele teve dentro de campo.
Estou falando de Dalmo Bozzano.
Dalmo era daquele tipo de árbitro que hoje está em falta.
Personalidade forte, postura firme e decisão sem rodeio. Não tinha conversa, não tinha teatro, tinha comando. Jogador sabia até onde podia ir… porque do outro lado tinha alguém que não aceitava pressão.
E tem uma marca que virou folclore no meio da arbitragem:
não gostava de dar acréscimos.
E a explicação era direta, no estilo raiz: não recebia por isso.
Mas reduzir Dalmo a isso seria pouco. Muito pouco.
Estamos falando de um árbitro que fez história dentro de campo e com números que impressionam.
Dalmo Bozzano foi, por muito tempo, o árbitro que mais apitou o maior clássico de Santa Catarina: Avaí x Figueirense — foram 44 partidas.
E isso não acontece por acaso.
Clássico não é só jogo.
Clássico é pressão, é ambiente quente, é decisão a cada lance.
E se ele estava ali, jogo após jogo, é porque confiavam nele para comandar o que poucos conseguem segurar.
E tem mais.
Entre 1981 e 1997, Dalmo Bozzano apitou 10 finais do Campeonato Catarinense, um recorde para um único árbitro na competição.
Isso não é só número. Isso é confiança absoluta no momento mais decisivo do futebol.
E não para por aí.
Dalmo também entrou para a história ao ser o primeiro árbitro catarinense a integrar o quadro da FIFA.
Um marco gigantesco para a arbitragem do estado, abrindo portas e colocando Santa Catarina no cenário internacional do apito.
Além disso, foi árbitro de jogos decisivos do estadual, construiu respeito dentro e fora de campo e ainda rompeu barreiras ao atuar em jogos ligados à Federação Paulista — algo que, naquela época, era reconhecimento de alto nível.
E tem um capítulo especial que eterniza seu nome:
📅 04 de maio de 1994
📍 Estádio da Ressacada — Florianópolis
🇧🇷 Brasil x Islândia
Dalmo foi o árbitro da despedida da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo de 1994.
E naquele jogo aconteceu algo histórico:
o primeiro gol de Ronaldo Fenômeno com a camisa da Seleção Brasileira.
Um jogo que entrou pra história… e Dalmo lá, comandando.
📊 FICHA DO ÁRBITRO — DALMO BOZZANO (GERAÇÃO RAIZ)
- Origem: Santa Catarina
- Período: Anos 80/90
- Estilo: Autoridade total e decisão imediata
- Destaque: Brasil x Islândia (1994 – Ressacada)
- Marca registrada: personalidade forte e arbitragem no pulso
- Curiosidade: não gostava de dar acréscimos
- Recorde: 10 finais do Campeonato Catarinense (1981–1997)
- Clássicos: 44 jogos entre Avaí x Figueirense
- Marco histórico: 1º árbitro catarinense no quadro da FIFA
- Reconhecimento: atuação também em jogos da Federação Paulista
E talvez a frase que melhor define quem era Dalmo Bozzano não veio de dentro de campo… veio de fora.

Em um momento em que a arbitragem catarinense era questionada, ele soltou uma daquelas que só quem tem personalidade fala:
“Faz um jogo a cada dia e me coloca que eu resolvo.”
Isso não é arrogância.
Isso é confiança.
Isso é quem sabe o tamanho que tem.
Hoje, quando a gente vê tanta dúvida, tanta interferência e tanto árbitro inseguro…
fica ainda mais claro o valor de quem fazia o jogo acontecer.
Porque naquela época não tinha VAR…
não tinha revisão…
não tinha segunda chance…
Tinha coragem.
E quem tinha coragem… mandava no jogo.
🔥 QUANDO O APITO TINHA DONO
E Dalmo Bozzano…
era dono dele dentro e fora de campo.
Falando de Futebol — por Junior Moresco
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