Falando de Futebol – por Junior Moresco
Vem aí, logo no início do ano, aquilo que eu sempre defendo sem medo de errar: o Campeonato Brasileiro da Série A, a competição mais difícil, mais equilibrada e mais democrática do futebol mundial. Em 2026, o Brasileirão Betano promete, mais uma vez, testar elenco, organização, paciência de torcida e, principalmente, competência.
A edição deste ano já começa com novidades importantes. Três clubes tradicionais estão de volta à elite — Athletico-PR, Coritiba e Chapecoense, todos com história recente nos pontos corridos — e o campeonato ganha um ingrediente especial com a estreia do Remo. O clube paraense retorna à Série A após 26 anos e se torna apenas o segundo representante da Região Norte a disputar o Brasileirão no formato atual, feito que carrega simbolismo e peso histórico.
E se o campeonato é equilibrado por natureza, a primeira rodada já deixa isso bem claro.
O atual campeão Flamengo estreia fora de casa diante do São Paulo, no MorumBIS, em um confronto que, ao longo da história do Brasileirão, sempre foi sinônimo de jogo grande. São 77 partidas, com leve vantagem paulista: 29 vitórias do São Paulo contra 25 do Flamengo, além de 23 empates. Um duelo pesado logo de cara, daqueles que não permitem adaptação.
O Palmeiras, vice-campeão de 2025, também começa longe de casa e encara o Atlético-MG na Arena MRV. O retrospecto mostra equilíbrio com vantagem alviverde: 33 vitórias do Palmeiras contra 24 do Galo, em 71 jogos. É confronto direto entre candidatos ao título já na largada — típico do Brasileirão, que não dá tempo para respirar.
Em São Paulo, o Mirassol, grande surpresa da última edição, recebe o Vasco em um estádio onde simplesmente não perdeu em 2025. E o retrospecto recente assusta o torcedor cruzmaltino: dois jogos, duas vitórias do Mirassol, cinco gols marcados e nenhum empate. É mais uma prova de que, no Brasileirão, camisa pesa, mas campo e momento pesam mais ainda.
Um capítulo curioso da rodada acontece com Corinthians x Bahia, na Vila Belmiro. Pela primeira vez na história do Brasileirão, o Corinthians será mandante nesse palco. Em campo, um histórico favorável ao Timão: 27 vitórias em 59 jogos, mas com um Bahia que já mostrou inúmeras vezes saber competir fora de casa.
No Rio de Janeiro, o Fluminense recebe o Grêmio em um duelo carregado de história e simbolismo. São 73 confrontos, com ampla vantagem gremista: 33 vitórias contra 23 do Flu. Mas o grande destaque vai além do placar: o goleiro Fábio pode ampliar uma sequência absurda de recordes — 25ª participação no Brasileirão, 743 jogos disputados e, aos 45 anos, consolidar-se como o jogador mais velho a entrar em campo na história da competição. Um personagem que simboliza longevidade em um torneio que não perdoa ninguém.
Outros confrontos reforçam o equilíbrio da rodada. Internacional x Athletico-PR traz números próximos e rivalidade recente. Coritiba x Red Bull Bragantino é praticamente um duelo novo na Série A, com retrospecto totalmente empatado. Vitória x Remo carrega o peso histórico de confrontos antigos, com leve vantagem do clube paraense. Chapecoense x Santos é mais um reencontro de clubes que já viveram altos e baixos na elite. E Botafogo x Cruzeiro, com 74 jogos na história, mostra uma rivalidade nacional marcada por muitos empates e vantagem mineira.
É assim que começa o Brasileirão 2026: sem jogo fácil, sem favorito absoluto, sem margem para erro. Aqui, tradição ajuda, mas não garante nada. Elenco curto sofre, calendário castiga e quem não estiver organizado desde a primeira rodada paga a conta lá na frente.
O maior campeonato do mundo não espera ninguém. Ele cobra. Sempre cobrou. E em 2026, promete cobrar ainda mais.
