Falando de Futebol – por Junior Moresco
Quando a rivalidade ultrapassa o limite da humanidade
Hoje eu não escrevo sobre bola na rede.
Não escrevo sobre esquema tático, arbitragem ou tabela.
Hoje eu escrevo sobre vergonha.
No confronto entre Brusque Futebol Clube e Chapecoense, dois indivíduos decidiram ultrapassar todos os limites do aceitável. Um imitou a queda de um avião. O outro simulou choro, como forma de provocação.
Não foi brincadeira.
Não foi rivalidade sadia.
Foi algo muito mais grave: desumanidade.
A tragédia que vitimou a Chapecoense, em 2016, não foi apenas um acidente aéreo. Foi uma dor coletiva. Foi o Brasil inteiro de joelhos. Foi o mundo do futebol em silêncio, respeitando vidas interrompidas de forma brutal.
Ali não caíram apenas jogadores.
Caíram sonhos.
Caíram pais de família.
Caíram profissionais que representavam esperança para uma cidade inteira.
Brincar com aquilo é brincar com famílias destruídas.
É zombar de órfãos.
É rir da dor de mães e pais que nunca mais puderam abraçar seus filhos.
E é importante deixar claro: isso não representa a torcida do Brusque. A verdadeira torcida sabe o peso daquela noite. Sabe que futebol é disputa dentro de campo, não espetáculo de crueldade nas arquibancadas.
O que vimos foi falta de caráter.
Foi ausência de empatia.
Foi o retrato do pior tipo de torcedor, aquele que usa a camisa para esconder a própria pequenez.
Futebol é paixão.
Futebol é provocação.
Futebol é emoção.
Mas antes de torcer, é preciso ser gente.
Quem transforma tragédia em deboche não entende o que é esporte. Não entende o que é respeito. E, sinceramente, não merece ocupar espaço em estádio nenhum.
Que sejam identificados.
Que sejam responsabilizados.
E que sirvam de exemplo do que NÃO pode existir no futebol.
Porque memória se respeita, Dor não é entretenimento, E humanidade não é opcional.
Nenhuma provocação justifica tocar numa ferida que nunca cicatrizou.
Nenhuma rivalidade permite zombar de uma dor que ainda ecoa.
Que vocês saibam: a imbecilidade de um não representa o sentimento do futebol brasileiro.
Respeito sempre.
Memória viva.
Junior Moresco
Falando de Futebol
