Falando de Futebol por Junior Moresco
O Figueirense anunciou a contratação de Túlio Lustosa como novo Gerente Executivo de Futebol e, sinceramente, dentro de tudo que o clube vive nos últimos anos, vejo como uma decisão acertada da diretoria alvinegra. E digo isso sem medo de errar.
Primeiro porque Túlio conhece o tamanho do Figueirense. Conhece o peso da camisa, conhece a pressão da torcida e sabe perfeitamente o que representa vestir preto e branco no Orlando Scarpelli. Como jogador, nunca foi de se esconder. Era daqueles atletas aguerridos, competitivos, que brigavam até o último minuto e que entendiam o sentimento do torcedor dentro de campo. Isso faz diferença, principalmente em um clube que há muito tempo parece ter perdido sua identidade.
Mas é importante deixar claro uma coisa: o passado de jogador não garante sucesso como dirigente. Futebol profissional exige gestão, planejamento, pulso firme, leitura de mercado e capacidade de reconstrução. E é justamente aí que o torcedor precisa ter equilíbrio e maturidade neste momento.
Tenho sido extremamente crítico à diretoria do Figueirense, principalmente pelas decisões erradas acumuladas nos últimos anos, contratações equivocadas, montagem de elencos sem identidade e um clube que virou sinônimo de improviso dentro do futebol brasileiro. Porém, quando acredito que existe um movimento correto, também acho justo reconhecer.
Túlio chega ao clube com experiência na área de gestão esportiva, passou por clubes importantes, participou de reformulações e conhece o funcionamento do futebol atual. E mais do que isso: chega em um momento onde o Figueirense precisa parar de trocar nomes a cada dois meses e começar um trabalho sério, com continuidade e convicção.
O maior erro do futebol brasileiro é querer resultado em 15 dias. O torcedor precisa cobrar? Claro que precisa. O Figueirense é gigante e sua torcida jamais aceitará acomodação. Mas também precisa entender que nenhum profissional consegue mudar um clube desorganizado da noite para o dia.
Se der autonomia, respaldo e tempo de trabalho ao Túlio, acredito que ele pode ajudar muito na reconstrução do Furacão. O Figueirense precisa voltar a ter comando no futebol, precisa recuperar credibilidade e principalmente voltar a montar elenco com critério e identidade.
Agora é hora de apoiar, observar e dar condições para o trabalho acontecer. Crítica faz parte do futebol, mas fritar profissional antes mesmo de começar é continuar cavando o buraco que o próprio clube entrou nos últimos anos.
Boa sorte ao Túlio Lustosa. O desafio é enorme, a pressão é gigante, mas o Figueirense precisa urgentemente reencontrar pessoas que entendam o tamanho desta camisa.
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Falando de Futebol – por Junior Moresco
