Memória – Por Junior Moresco

Carlos Eugênio Simon

O futebol não é feito apenas de gols, títulos e camisas históricas. Ele também é construído por pessoas que, muitas vezes, não aparecem nas fotos finais, mas são fundamentais para que o jogo exista. Gente que fez história com seriedade, competência e personalidade. Essa coluna nasce para isso: preservar a memória.

Depois de 17 anos vivendo o futebol por dentro, atuando na Federação Catarinense, aprendi que o tempo é injusto com muitos personagens que ajudaram a engrandecer o esporte. E a coluna Memória vem para lembrar, homenagear e valorizar essas figuras. Algumas ainda entre nós, outras que já partiram, mas todas eternas na história do futebol.

E nada mais justo do que iniciar essa coluna com um dos maiores nomes da arbitragem brasileira e mundial: Carlos Eugênio Simon.

Simon não foi apenas árbitro. Foi referência. Foi autoridade. Foi padrão. Pouquíssimos profissionais no mundo chegaram onde ele chegou: três Copas do Mundo (2002, 2006 e 2010). Um feito que, por si só, já o coloca em um patamar histórico.

Tive o privilégio de trabalhar com Simon em inúmeros jogos em Santa Catarina. Ele apitando, eu como delegado. E falo com a tranquilidade de quem viu de perto: Simon tinha domínio absoluto da partida. Não precisava gritar, não precisava aparecer. O jogo fluía porque ele sabia exatamente onde estar, quando intervir e como se impor.

Um jogo que guardo muito na memória é Figueirense x Bahia, em 2010, no Orlando Scarpelli. Um confronto pesado, tenso, decisivo pelo momento das equipes. Simon conduziu a partida com naturalidade, segurança e autoridade. Coisa de quem já estava acostumado com grandes decisões.

Simon foi árbitro da CBF em 1993 e FIFA a partir de 1997. Participou dos Jogos Olímpicos de Sydney 2000, apitou Eliminatórias das Copas de 2002, 2006 e 2010 e esteve presente na Copa Libertadores da América por dez anos consecutivos (2000 a 2010).

Seu currículo impressiona:

  • Finais do Campeonato Brasileiro: 1997, 1998, 1999, 2001, 2002 e 2010
  • Finais da Copa do Brasil: 2000, 2003, 2004, 2006 e 2010
  • Recopa Sul-Americana: 2010
  • Copa Europeia/Sul-Americana: 2002

Em Copas do Mundo, apitou jogos de altíssimo nível:

  • 2002: Inglaterra x Suécia; México x Itália
  • 2006: Itália x Gana; Espanha x Tunísia; Alemanha x Suécia (oitavas)
  • 2010: Inglaterra x EUA; Alemanha x Gana

A Copa do Mundo da África do Sul foi seu último torneio oficial. Não por erro, não por queda técnica, mas por ter atingido o limite de idade da FIFA. Aos 45 anos, Simon encerrava a carreira deixando um legado pesado e respeitado.

Fora de campo, era o mesmo de sempre: simples, acessível, humano. Após jogos em Florianópolis, era comum encontrá-lo no Restaurante Lia Mar, tomando uma cervejinha e comendo um bom peixe. Conversa tranquila, futebol na mesa, risadas. O gaúcho do gel no cabelo, marca registrada, que virou símbolo sem nunca precisar forçar personagem.

Simon fez três Copas do Mundo. Fez inúmeras finais. Fez história. E, acima de tudo, ajudou a elevar o nível da arbitragem brasileira no cenário internacional.

Essa é a essência da coluna Memória.

Porque o futebol também é feito por quem apita.

E Carlos Eugênio Simon merece ser lembrado. Sempre.

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@falandodefutebol26
Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

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