Falando de Futebol — por Junior Moresco
No futebol, quase sempre os holofotes ficam para quem faz o gol, levanta a taça ou aparece nas manchetes. Mas quem vive o dia a dia do esporte sabe que existem profissionais fundamentais para que o espetáculo aconteça — e entre eles está a arbitragem.
Na coluna Memórias da Arbitragem, gosto de resgatar histórias de profissionais que ajudaram a construir o futebol, muitas vezes sem o reconhecimento que mereciam. E hoje quero falar de um nome que marcou época: Sandro Meira Ricci.
Sandro sempre foi um árbitro acima da média. Inteligente, extremamente preparado fisicamente e com uma leitura de jogo diferenciada. Era daqueles árbitros que transmitiam segurança dentro de campo, sempre bem posicionado e com personalidade para conduzir partidas de alta tensão. Um profissional respeitado por jogadores, dirigentes e pela própria arbitragem mundial.
Sua trajetória no futebol é impressionante.
Sandro ingressou na arbitragem em 2003, entrou para o quadro da CBF em 2006 e rapidamente passou a ganhar espaço no cenário nacional. Em 2011, chegou ao quadro da FIFA, iniciando uma caminhada que o levaria aos maiores palcos do futebol mundial.
Entre 2011 e 2014, foi o árbitro brasileiro com maior número de partidas internacionais, acumulando atuações em Copa Libertadores, Copa Sul-Americana, Eliminatórias da Copa do Mundo, Mundial de Clubes da FIFA e competições internacionais de base.
O reconhecimento veio naturalmente.
Sandro apitou três jogos da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, incluindo o histórico confronto entre França e Honduras, que marcou a primeira validação de gol com auxílio da tecnologia da linha do gol em uma Copa do Mundo.
Quatro anos depois, voltou a representar o Brasil na Copa do Mundo da Rússia em 2018, arbitrando partidas importantes e inclusive uma quartas de final, algo reservado a poucos árbitros no mundo.
Além disso, esteve presente nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, na Copa América de 2015, em diversas edições da Copa Libertadores e teve a honra de apitar a final do Mundial de Clubes de 2013, entre Bayern de Munique e Raja Casablanca.
No futebol brasileiro, também construiu uma carreira respeitada. Em 2010, foi eleito o melhor árbitro do Campeonato Brasileiro, reconhecimento que confirmou aquilo que muitos já sabiam: Sandro Ricci era um árbitro de nível internacional.
Tive a oportunidade de acompanhar parte dessa trajetória de perto e também de participar, como interlocutor, do processo que trouxe Sandro para atuar no futebol catarinense em 2014. Um momento importante para o crescimento da arbitragem do nosso estado e para a formação de novos profissionais.

Mas quando olhamos para a carreira de Sandro Meira Ricci, não estamos falando apenas de números, jogos ou competições.
Estamos falando de respeito, competência e legado.
De um árbitro que saiu dos campos do Brasil para chegar aos maiores palcos do futebol mundial. De um profissional que carregou o apito com autoridade, personalidade e profundo conhecimento do jogo. De alguém que ajudou a mostrar ao mundo a qualidade da arbitragem brasileira.
Poucos chegaram tão longe.
Poucos apitaram jogos tão grandes.
E poucos deixaram uma marca tão forte dentro da arbitragem.
Porque o futebol se constrói com gols, títulos e ídolos…
Mas também com homens que tiveram coragem de assumir a responsabilidade de conduzir o jogo.
E entre esses, Sandro Meira Ricci certamente escreveu seu nome entre os grandes árbitros da história do futebol brasileiro.
Junior Moresco
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