Falando de Futebol por Junior Moresco
No dia em que o Campeonato Catarinense se encerra em Chapecó, trago uma coluna especial para relembrar a série “Eles Fizeram História”. E hoje falo de um homem que marcou profundamente o futebol do Oeste e de Santa Catarina: o saudoso presidente Sandro Luiz Pallaoro.
Confesso que Sandro não era um homem fácil. Questionava, brigava, defendia a Chapecoense com unhas e dentes. Era firme, incisivo em suas decisões e sempre buscava o melhor para a Chape. Quem conviveu com ele sabia que ali estava um dirigente apaixonado pelo clube.

O destino reservou a Sandro Pallaoro estar na presidência no momento mais grandioso e ao mesmo tempo mais triste da história da Chapecoense, quando a delegação viajava para a Colômbia para disputar a final da Copa Sul-Americana.
O presidente da Associação Chapecoense de Futebol que faleceu no voo 2933 da LaMia, em 28 de novembro de 2016, era Sandro Luiz Pallaoro.
Ele presidia o clube desde novembro de 2010 e foi uma das 71 vítimas da tragédia na Colômbia.
Empresário do ramo agrícola em Chapecó, à frente da Pallaoro Alimentos, Sandro foi peça fundamental no crescimento da Chapecoense, conduzindo o clube da Série D até a Série A do Campeonato Brasileiro.
“Sonhe sem limites e acredite com todas as forças”.
A frase que estampava um cartaz em sua homenagem durante o velório resume bem o que ele pensava.
Sandro nunca aceitou que a Chapecoense fosse vista apenas como um pequeno clube do interior. Ele pensava grande. Tratava a Chape como clube grande e essa postura fez com que o futebol catarinense e brasileiro passassem a respeitar ainda mais a equipe de Chapecó.
Desde que assumiu como diretor de futebol em 2009 e depois a presidência, a Chapecoense deixou de ser um clube sem divisão nacional para alcançar a elite do futebol brasileiro e chegar à final da Copa Sul-Americana.
Seu grande mérito foi a reestruturação administrativa do clube. Sandro administrava a Chapecoense com mentalidade empresarial, mantendo uma política de austeridade: gastar apenas o que o clube tinha em caixa. Implantou teto salarial, manteve salários sempre em dia e estruturou o clube com seriedade e transparência, características que lhe renderam, em 2015, o prêmio de Empresário do Ano concedido pela ACIC.
Mas além do dirigente, Sandro também era um homem de diálogo.
Durante muitos anos fiz jogos em Chapecó como delegado de partida e Sandro era o presidente. Conversávamos bastante. Como na maioria das vezes eu chegava à cidade um dia antes do jogo, passava pelo clube e sempre fui muito bem recebido por ele. Sentávamos para trocar ideias sobre futebol, sobre gestão e sobre o crescimento da Chapecoense.

E ali ficava claro: Sandro Pallaoro não pensava pequeno. Ele acreditava que a Chape podia sempre ir além.
Hoje, anos depois, seu nome continua eternamente ligado à maior transformação da história da Chapecoense. Um dirigente que ajudou a construir um clube respeitado no Brasil inteiro.
Se hoje a Chapecoense é respeitada no Brasil, muito disso começou com um homem que nunca teve medo de sonhar grande: Sandro Luiz Pallaoro.
Sandro Luiz Pallaoro, sem dúvida, foi um daqueles homens que realmente fizeram história no futebol catarinense.
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Falando de Futebol
por Junior Moresco
