Falando de Futebol por Junior Moresco

A principal notícia do futebol brasileiro nesta semana veio dos bastidores da arbitragem. A CBF anunciou mais uma mudança no comando da Comissão de Arbitragem: sai Rodrigo Cintra e entra Sandro Meira Ricci.

E, sinceramente, essa troca levanta uma reflexão importante. Nos últimos anos, a arbitragem brasileira viveu uma verdadeira dança das cadeiras. Passaram pelo comando nomes como Wilson Luiz Seneme, Rodrigo Cintra e agora chega Sandro Meira Ricci. Antes deles, outros profissionais também tiveram a missão de tentar reorganizar um setor que convive diariamente com críticas, polêmicas e desconfiança por parte de clubes, dirigentes, atletas e torcedores.

O curioso é que, analisando os currículos, dificilmente alguém poderá dizer que faltou capacidade técnica aos dirigentes que passaram pela função. Seneme foi árbitro FIFA e esteve em grandes competições internacionais. Rodrigo Cintra, apesar de não ter alcançado o mesmo destaque dentro de campo, chegou ao cargo com propostas de modernização, criação de rankings de desempenho e maior profissionalização do setor. A própria CBF apostou nele como coordenador de uma nova estrutura criada em 2025 para tentar dar mais credibilidade às decisões da arbitragem.

Mas a verdade é que o problema da arbitragem brasileira parece ser muito mais profundo do que simplesmente trocar o presidente da comissão.

Há anos vemos praticamente os mesmos nomes ocupando funções de análise, observação, instrução e avaliação. Presidentes entram, presidentes saem, mas uma parte da estrutura permanece intacta. Basta abrir uma escala de arbitragem para perceber que existe um grupo que atravessa diferentes gestões sem que praticamente nada mude.

E talvez tenha sido justamente aí que Rodrigo Cintra encontrou suas maiores dificuldades. Nos bastidores, a percepção é de que sua queda passa também pela insistência em manter alguns árbitros em partidas importantes, mesmo após erros sucessivos e atuações bastante contestadas. Quando os mesmos problemas se repetem rodada após rodada, a pressão naturalmente aumenta e acaba recaindo sobre quem está no comando.

Agora chega Sandro Meira Ricci.

E aqui faço um registro pessoal. Conheço Sandro há muitos anos. Inclusive, tive a satisfação de participar de sua contratação para atuar em competições de Santa Catarina. Sempre o admirei por sua personalidade forte, inteligência, capacidade de comunicação e visão moderna sobre o futebol.

Seu currículo dispensa apresentações. Árbitro FIFA por vários anos, Sandro representou o Brasil na Copa do Mundo de 2014, participou de grandes competições internacionais e construiu uma carreira marcada pela firmeza nas decisões e pela preparação técnica. Além da arbitragem, é formado em Economia e sempre demonstrou uma capacidade diferenciada de gestão e liderança.

Por isso, acredito que a escolha da CBF foi acertada.

Mas Sandro encontrará exatamente o mesmo desafio que enfrentaram seus antecessores. Se chegar apenas para ocupar a cadeira e trabalhar com a mesma estrutura, com as mesmas pessoas e com os mesmos métodos de avaliação, dificilmente os resultados serão diferentes.

A arbitragem brasileira precisa de renovação. Precisa revelar novos árbitros, formar novos instrutores, abrir espaço para novas ideias e, principalmente, criar critérios que sejam compreendidos por todos. O torcedor não suporta mais ver interpretações diferentes para lances iguais a cada rodada.

A troca de comando pode ser positiva. Sandro tem currículo, conhecimento e personalidade para assumir a função. Mas a solução não passa apenas pela figura do presidente da comissão. O verdadeiro desafio está em mudar a cultura instalada há muitos anos dentro da arbitragem brasileira.

Caso contrário, daqui a algum tempo estaremos novamente discutindo a saída de mais um presidente, enquanto os mesmos problemas continuarão dentro de campo.


Junior Moresco

Compartilhe este artigo

Participe desse espaço de troca, opinião e paixão pelo futebol brasileiro e mundial!

@falandodefutebol26
Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

Posts Recomendados