Falando de Futebol – Por Junior Moresco
É hoje. Em pleno mês de janeiro já estamos falando em rodada decisiva, e isso não é acaso, é consequência direta de um Estadual espremido, curto e sem margem para erro. Quem entrou dormindo, hoje paga a conta. E paga caro. Neste domingo termina a primeira fase do Campeonato Catarinense de 2026, e muita gente ainda não se deu conta da gravidade do que está em jogo.
Desde antes da bola rolar eu vinha alertando: com menos datas, o Catarinense seria outro campeonato. Não existe mais tempo para recuperação, não existe “depois a gente arruma”. Cada rodada é quase uma final. E os fatos estão escancarados na tabela.
De um lado, Brusque, Avaí, Camboriú, Concórdia e Criciúma já garantiram vaga, mas não pense que isso significa tranquilidade. Muito pelo contrário. Quem terminar melhor colocado decide em casa, e em Santa Catarina isso faz toda a diferença. Quem abrir mão disso por acomodação, vai se arrepender rapidamente.
Do outro lado, o cenário é dramático e constrangedor para alguns. Santa Catarina, Chapecoense, Barra e Figueirense brigam por três vagas. Um deles vai para o quadrangular da morte junto com Joinville, Marcílio Dias e Carlos Renaux. E aqui não tem discurso bonito, não tem história, não tem camisa que salve: quem cair ali vai brigar contra o rebaixamento. Simples assim.
E antes de falar de jogo, é preciso dizer: o regulamento é claro e justo. Quem faz melhor campanha leva vantagem. Ida e volta, mando no jogo decisivo para quem merece. Não tem choro depois.
Os jogos e o que está realmente em jogo
Figueirense x Camboriú
O Figueirense chegou a este ponto por incompetência própria. Agora não adianta reclamar de tabela, de árbitro ou de azar. Precisa ganhar e torcer. Situação humilhante para um clube desse tamanho.
O Camboriú, por sua vez, faz um campeonato sério, organizado e pode terminar em primeiro do grupo, algo impensável no início da competição. Isso mostra que planejamento ainda ganha de nome e camisa.
Criciúma x Brusque
Aqui está o jogo de gente grande. Dois líderes, dois trabalhos consistentes. O Criciúma sabe que vacilar pode significar perder mando e até cair posições. O Brusque defende invencibilidade e mostra, mais uma vez, que sabe competir. Quem entrar achando que empate é bom pode acabar punido.
Santa Catarina x Avaí
O Santa Catarina faz campanha respeitável, mas ainda não está salvo. Empate resolve, vitória consagra.
Já o Avaí não pode pensar pequeno. Quem é grande joga para vencer sempre. E mais: se terminar em primeiro e pegar o Figueirense depois, o clássico vem aí. E clássico se ganha no campo, não se evita na tabela.
Chapecoense x Joinville
A Chapecoense tem obrigação de vencer. Qualquer coisa diferente disso será fracasso. O Joinville é um time frágil, desorganizado e já pensando no quadrangular da morte. Futebol surpreende, mas neste jogo a lógica precisa prevalecer.
Carlos Renaux x Marcílio Dias
Jogo que só confirma o que a tabela já disse: duas equipes que não conseguiram competir e agora terão que se reinventar rapidamente se quiserem sobreviver na Série A.
Barra x Concórdia
O Barra joga a vida. Em casa, pressionado, sem margem para erro. O Concórdia, mesmo classificado, não entra para brincar. Se o Barra não entender isso, pode pagar caro.
E como se não bastasse toda essa tensão, chegamos à última rodada sem VAR. Uma vergonha. Inaceitável. Um campeonato profissional não pode terminar sua fase decisiva sem tecnologia por falta de estrutura da Federação. Isso é falha grave, que precisa ser cobrada e não normalizada.
Ainda assim, é justo dizer: a fórmula do campeonato funcionou. Com poucas datas, chegamos à última rodada com praticamente todos os jogos valendo algo. Isso é mérito do formato.
Agora é domingo, 18 horas, televisão ligada, rádio do lado e coração acelerado. Vamos ver quem sustenta a pressão, quem merece avançar e quem vai carregar o peso de disputar o quadrangular da morte.
Estarei atento a tudo. E quando a bola parar, farei a análise dos confrontos da segunda fase — e das responsabilidades de quem falhou.
