Falando de Futebol por Junior Moresco

Há personagens que não apenas contam a história do futebol. Eles se confundem com ela. Em Santa Catarina, um desses nomes é o do Comendador Roberto Alves, ou simplesmente Bob, como é carinhosamente chamado por amigos, colegas de profissão e milhares de ouvintes e telespectadores que acompanharam sua trajetória ao longo de décadas.

Falar de Roberto Alves é falar da própria história do jornalismo esportivo catarinense. É impossível contar a evolução da comunicação esportiva em nosso estado sem reservar um capítulo especial para aquele que dedicou praticamente toda a sua vida ao rádio, à televisão e ao futebol.

Sua trajetória começou ainda muito jovem, aos 14 anos, na Rádio Guarujá, em Florianópolis, onde iniciou como sonoplasta antes de se transformar em repórter, narrador e comentarista. Ali nascia uma das carreiras mais brilhantes da comunicação catarinense. Décadas depois, seu nome se tornaria sinônimo de credibilidade, conhecimento e paixão pelo esporte.

Ao longo dos anos, Bob não foi apenas um profissional da imprensa. Tornou-se referência, inspiração e verdadeira escola para gerações de jornalistas. Foi testemunha ocular de alguns dos momentos mais importantes do futebol catarinense, acompanhando o crescimento de clubes como Avaí, Figueirense, Chapecoense, Criciúma, Joinville e tantos outros, levando informação, opinião e emoção para milhões de catarinenses.

Também teve o privilégio de cobrir Copas do Mundo, grandes competições nacionais e internacionais, sempre carregando consigo o orgulho de representar o jornalismo esportivo de Santa Catarina. Mas seria injusto resumir Roberto Alves apenas aos seus números, coberturas ou décadas de trabalho.

Sua maior qualidade talvez esteja fora dos microfones e das câmeras.

Bob é, acima de tudo, um ser humano extraordinário. Um homem educado, gentil, acessível e respeitado por todos que tiveram a oportunidade de conviver com ele. Em um meio muitas vezes marcado pela vaidade e pela disputa de espaço, Roberto construiu sua reputação através da elegância, da inteligência, da humildade e do respeito ao próximo.

Seu estilo firme, sério e contundente nunca precisou ser agressivo. Sempre soube defender suas opiniões com argumentos, experiência e credibilidade. Por isso conquistou algo raro: o respeito de torcedores de todos os clubes, dirigentes, atletas, árbitros e colegas de profissão.

Mas existe um capítulo especial que jamais poderá ser esquecido quando falamos de Roberto Alves: sua histórica parceria com o saudoso Miguel Livramento.

Para muitos catarinenses, Bob e Miguel formaram a maior dupla da comunicação esportiva da história de Santa Catarina. Eram diferentes em suas características, mas justamente por isso se completavam de maneira perfeita.

Quem teve o privilégio de acompanhar seus programas no rádio e na televisão sabe exatamente do que estou falando. Em determinados momentos, os debates eram sérios, técnicos e profundos. Em outros, a irreverência tomava conta do estúdio e surgia aquele jeito manezinho, espontâneo e autêntico de conversar sobre futebol que apenas os dois conseguiam proporcionar.

Eles não falavam apenas de futebol.

Eles entravam diariamente na casa das pessoas.

Faziam companhia para milhares de catarinenses, arrancavam risadas, provocavam reflexões e criavam uma identificação única com o público. A sintonia entre os dois era algo raro. Muitas vezes bastava um olhar para que um completasse o raciocínio do outro. Era uma amizade verdadeira transformada em comunicação de altíssimo nível.

Para quem ama rádio e televisão, Bob e Miguel representam uma época que jamais será esquecida.

Eu também tive a felicidade de conviver com Roberto Alves durante minha longa passagem pela Federação Catarinense de Futebol. Foram muitos anos acompanhando os bastidores do futebol catarinense e posso dizer, com absoluta tranquilidade, que a imagem que o público conhece é exatamente a mesma que encontrei fora dos microfones.

Sempre foi um homem extremamente atencioso, generoso e respeitador.

Mesmo sendo uma referência do jornalismo esportivo brasileiro, jamais demonstrou qualquer tipo de arrogância. Pelo contrário. Sempre esteve disposto a conversar, ouvir, orientar e compartilhar conhecimento.

Tive a oportunidade de testemunhar inúmeras vezes sua amizade e parceria com o saudoso Delfim Pádua Peixoto Filho. Eram relações construídas ao longo de décadas de convivência e respeito mútuo. Conversavam sobre futebol, arbitragem, bastidores, administração esportiva e, principalmente, sobre o futuro do futebol catarinense.

Roberto sempre teve trânsito livre entre dirigentes, atletas, treinadores e profissionais da imprensa porque conquistou algo que não se compra e não se improvisa: credibilidade.

E talvez seja exatamente isso que explique o tamanho de Roberto Alves.

Sua história não foi construída apenas pelas transmissões, pelas entrevistas ou pelos programas de sucesso. Foi construída pelas amizades que cultivou, pelas pessoas que ajudou, pelas portas que abriu e pelo respeito que conquistou ao longo de uma vida inteira dedicada ao esporte e à comunicação.

Não por acaso, ao longo de sua caminhada recebeu homenagens, honrarias e o reconhecimento de ser considerado um dos maiores comunicadores da história de Santa Catarina. Aos 84 anos, continua ativo, produzindo conteúdo, compartilhando conhecimento e demonstrando diariamente a paixão que sempre teve pelo esporte.

Recentemente, ao lançar mais uma obra contando histórias e bastidores de sua longa caminhada, reforçou aquilo que muitos já sabiam: Roberto Alves não é apenas um jornalista. É um patrimônio vivo da comunicação catarinense.

Seu legado ultrapassa gerações e continuará servindo de referência para todos aqueles que acreditam que o jornalismo deve ser feito com seriedade, ética, responsabilidade e amor pela profissão.

Em tempos de comunicação rápida, superficial e muitas vezes marcada pela busca de cliques e polêmicas vazias, Roberto Alves segue sendo uma aula permanente de profissionalismo.

Um homem que ajudou a contar a história do nosso futebol e que, sem perceber, acabou se tornando parte fundamental dela.

Santa Catarina produziu grandes narradores, comentaristas e comunicadores. Mas poucos conseguiram alcançar o tamanho, a credibilidade e o carinho popular conquistados pelo Comendador Roberto Alves.

Bob não é apenas uma voz do esporte catarinense.

Bob é a própria memória viva do futebol de Santa Catarina.

E ao lado de Miguel Livramento, de Delfim Pádua Peixoto Filho e de tantos outros personagens que marcaram nossa história, ajudou a construir um legado que jamais será esquecido por aqueles que amam o futebol e a comunicação esportiva.

Obrigado, Bob.

Obrigado por contar a nossa história.

E, principalmente, por fazer parte dela.

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@falandodefutebol26
Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

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