Falando de Futebol — por Junior Moresco
Terminou neste sábado (06/03) uma das páginas mais confusas e questionáveis da história recente do Campeonato Catarinense. A chamada “quadrangular da morte” chegou ao fim deixando claro que, além do drama dentro de campo, o regulamento também foi protagonista — e de forma nada positiva.
Dentro das quatro linhas, o Marcílio Dias fez aquilo que precisava. Venceu o Joinville por 2 a 0 e terminou na liderança do quadrangular. O Marinheiro somou 13 pontos, com quatro vitórias, um empate e apenas uma derrota. Curiosamente, terminou empatado em pontos, número de vitórias e até gols marcados com o Carlos Renaux: dez gols para cada lado.
O detalhe que decidiu quem sobreviveria foi o saldo de gols.
O Marcílio sofreu apenas cinco gols, fechando com saldo +5, enquanto o Carlos Renaux sofreu oito, terminando com saldo +2. Foi essa pequena diferença que manteve o Marinheiro na elite do futebol catarinense.
E aqui cabe registro: o Carlos Renaux lutou até o último minuto. Na rodada final foi até Florianópolis e venceu o Figueirense por 4 a 2, resultado que mostrou dignidade esportiva e competitividade de um clube que brigou até o fim. Caiu? Caiu. Mas caiu de cabeça erguida, deixando claro que não faltou entrega.
Agora, quando se olha para Joinville e Figueirense, a análise é outra.
O Joinville fez uma campanha simplesmente irreconhecível. Um clube de tradição, camisa pesada no futebol catarinense e nacional, que conseguiu apenas uma vitória em seis jogos, somando três pontos. Muito pouco para quem já levantou taças importantes e já foi protagonista no cenário brasileiro.
Já o Figueirense, a situação beira o constrangimento esportivo. Terminou com sete pontos, mesmo tendo iniciado essa fase com um ponto extra herdado da primeira etapa da competição. Um clube com a história do Furacão do Estreito não pode viver um momento como esse. Foi desorganização dentro de campo, falta de competitividade em jogos decisivos e um ambiente que claramente não conseguiu reagir quando a situação apertou.
Mas se dentro de campo houve erros, fora dele o maior absurdo foi o regulamento.
Rebaixar três clubes em um Campeonato Catarinense é simplesmente um exagero. É uma decisão que distorce o campeonato, aumenta o desespero das equipes e transforma a competição em uma verdadeira roleta russa esportiva. Regulamentos precisam dar equilíbrio ao torneio, não criar um cenário de caos.
O Catarinense 2026 entra para história — mas não pela qualidade técnica ou pelo espetáculo.
Entra pela confusão do regulamento, pelo drama exagerado do rebaixamento triplo e pelo vexame de clubes tradicionais que não conseguiram se encontrar quando mais precisavam.
E que fique a lição: futebol se decide dentro de campo, mas campeonatos também precisam de bom senso fora dele.
Porque quando o regulamento vira protagonista…
quem perde é o futebol.
Junior Moresco
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