Falando de Futebol por Junior Moresco
O Joinville Esporte Clube conseguiu aquilo que parecia impossível: ser o único clube catarinense eliminado ainda na primeira fase da Série D do Campeonato Brasileiro. Em um grupo com apenas seis equipes, onde quatro avançavam de fase, o JEC terminou apenas na quinta colocação e, mais uma vez, decepcionou sua apaixonada torcida.
E não estamos falando de um fracasso isolado. O problema é muito maior. O que se vê no Joinville é uma sequência interminável de erros, de decisões equivocadas e de um processo de decadência que parece não ter fim.
O ano de 2026 já havia sido traumático com o rebaixamento para a Série B do Campeonato Catarinense. Algo inimaginável para um clube que já foi campeão brasileiro da Série B, que já disputou a elite do futebol nacional e que possui uma das maiores torcidas de Santa Catarina. Mas, se alguém imaginava que a Série D serviria como um ponto de reconstrução, a realidade mostrou exatamente o contrário. O Joinville fracassou novamente.
A pergunta que fica é simples e assustadora: o que falta acontecer para que as pessoas que comandam ou influenciam o clube entendam a gravidade da situação?
Ano após ano, o discurso é o mesmo. Fala-se em planejamento, em reconstrução, em retomada. Mas dentro de campo o resultado é sempre o mesmo: vergonha, frustração e decepção.
E onde estão aqueles que durante décadas se apresentaram como os grandes nomes do futebol joinvilense? Onde estão os chamados notáveis? Onde estão dirigentes históricos como Nereu Martinelli, Fontana e tantas outras lideranças que sempre tiveram voz ativa dentro do clube? Como podem assistir passivamente ao desmoronamento de uma das maiores instituições esportivas de Santa Catarina?
O cenário preocupa porque a história mostra que tradição não impede a queda. Joinville já viu o América, pentacampeão catarinense, desaparecer do futebol profissional. Já viu o Caxias, tricampeão estadual e proprietário do Estádio Ernestão, deixar de ser protagonista para se tornar apenas uma lembrança de tempos melhores.
Será que o Joinville está caminhando para o mesmo destino?
É uma pergunta dura, mas necessária.
Porque quando um clube perde competitividade, perde relevância, perde torcida nos estádios, perde patrocinadores e passa a conviver com fracassos sucessivos, o risco deixa de ser apenas esportivo. Passa a ser institucional.
O mais triste de tudo é que não estamos falando de um clube pequeno ou sem história. Estamos falando do Joinville Esporte Clube, uma camisa pesada, respeitada em todo o país e que já proporcionou enormes alegrias ao futebol catarinense.
Mas a realidade atual é cruel. O Joinville virou refém de seus próprios erros e parece incapaz de encontrar uma saída.
A torcida, que já demonstrou paciência além do limite, continua sofrendo. E cada temporada que passa aumenta a sensação de que o fundo do poço ainda não foi alcançado.
O Joinville precisa reagir. Precisa de pessoas comprometidas, de um projeto sério e de dirigentes que entendam o tamanho da responsabilidade que têm nas mãos.
Porque se nada mudar, o que hoje é preocupação pode se transformar amanhã em algo muito pior: a lenta e dolorosa irrelevância de um dos maiores clubes da história de Santa Catarina.
Por Junior Moresco
