Falando de Futebol – por Junior Moresco
O Figueirense venceu. E só isso já muda muita coisa.
Foi com sofrimento? Foi! Foi no limite? Também! Mas quer saber a verdade? Não interessa. Na Série C, ninguém pergunta como foi, perguntam quanto foi. E hoje foram três pontos. E esses três pontos têm peso. Peso de arrancada, peso de mudança, peso de início de uma nova história com Raul Cabral.
Depois do desastre contra o Maringá, o torcedor precisava de uma resposta. E ela veio. Não foi perfeita, não foi um espetáculo técnico, mas foi na base da vontade, da entrega e da atitude. E isso já é um sinal claro de que algo começou a mudar.
Dentro de campo, o Figueira foi um time aguerrido, brigador, com sangue nos olhos. Um time que não se entregou nem quando o jogo parecia travado. No segundo tempo, aí sim, veio o principal sinal da nova era: bola no chão, postura ofensiva, pressão constante. O time foi pra cima, empurrou o Botafogo-PB contra o próprio campo e foi premiado.
O primeiro gol sai num lance daqueles que também fazem parte do futebol: Igor Bolt arrisca e o goleiro aceita. Faz parte. Quem chuta, cria. Quem pressiona, força o erro.
Na sequência, o empate com Nenê, em pênalti bem marcado. E ali era o momento que, em outras rodadas, o Figueirense sentiria o golpe. Mas não hoje. Hoje foi diferente.
O time continuou. Insistiu. Acreditou. E Breno apareceu pra fazer o gol da vitória. Um gol que vale mais do que três pontos. Um gol que pode mudar o ambiente, dar confiança e, principalmente, recolocar o clube no rumo.
E tem que falar da torcida.
4.747 torcedores no Scarpelli. Pode não ser um número gigante, mas é um número gigante em significado. Porque é o torcedor que vem sofrendo há anos, que viu rebaixamento, campanhas ruins, erros atrás de erros… e mesmo assim está lá. Cantando, empurrando, apoiando. E hoje foi bonito de ver: jogador vibrando com lateral, com dividida, com cada bola disputada. Isso é conexão. Isso é identidade.
Outro ponto importante: Raul Cabral.
Pouco tempo de trabalho, praticamente chegou e já teve que comandar o time. Mas no segundo tempo mostrou leitura de jogo. Mudou postura, organizou o time e, principalmente, teve coragem.
Coragem de acabar com a linha de três zagueiros, um sistema que vinha escancarando fragilidade. Coragem de mexer no time. Coragem de tirar o goleiro Fabrício, que vinha falhando e comprometendo nas rodadas anteriores, decisões fortes. E necessárias.
Agora, nem tudo foi positivo.
A arbitragem de Fabiano Monteiro dos Santos foi muito ruim. Confuso, sem critério, perdido no controle do jogo. Distribuiu cartões sem padrão, demorou pra expulsar quando deveria e tentou justificar decisões que não se sustentavam. Arbitragem que mais atrapalha do que ajuda — e isso precisa ser dito.
E fica o alerta.
Já venho falando há algumas colunas: falta posicionamento mais firme em defesa dos clubes catarinenses. Só neste final de semana, na capital, foram três pênaltis marcados, dois contra o Avaí e um contra o Figueirense. Foram pênaltis? Foram. Mas chama atenção a facilidade com que são marcados, enquanto lances duvidosos a favor simplesmente são ignorados.
E isso não é teoria, é leitura de quem viveu bastidores. Em outros tempos, a Federação estava presente, acompanhava, dava suporte e, quando precisava, se posicionava. Hoje… o silêncio incomoda. E o futebol não perdoa quem se omite.
Mas hoje, acima de tudo, é dia de valorizar.
O Figueirense venceu. Mostrou reação. Mostrou alma.
E, quem sabe, deu o primeiro passo pra sair da turbulência.
Porque, no fim das contas, é assim que começa uma virada: com sofrimento, com luta… e com três pontos.
Falando de Futebol – por Junior Moresco
