Falando de Futebol por Junior Moresco
Tem histórias que o futebol nos dá… e que não são sobre vitória, derrota ou tabela. São histórias que marcam a alma.
E essa, eu confesso, até hoje mexe comigo.
Depois do trágico acidente da Chapecoense, um dos momentos mais dolorosos da história do nosso futebol, talvez da nossa vida, o mundo inteiro parou. O silêncio tomou conta dos estádios, dos vestiários, das arquibancadas… e também dos nossos corações.
Naquela última rodada do Brasileirão, em Recife, o Figueirense entrou em campo contra o Sport. Mas naquele dia, não era apenas um jogo. Era uma homenagem. Era respeito. Era dor transformada em memória.
O Figueira vestia uma camisa diferente… pesada de significado. Nela, estavam os nomes das 71 vítimas daquele voo que jamais chegou ao destino. E entre aqueles nomes, um que para mim tinha um peso ainda maior…
Delfim Pádua Peixoto Filho.
Meu amigo. Meu presidente. Um homem que marcou minha vida.
Fui convidado a estar presente naquele momento. E ali, em meio a tanta emoção, recebi aquela camisa. A mesma camisa da homenagem. A camisa com o nome do Delfim.

E naquele instante… o tempo parou.
Não era apenas um presente.
Era uma lembrança viva.
Era um pedaço da história.
Era um abraço que o futebol me deu quando as palavras já não davam conta.
Segurar aquela camisa foi como reviver tudo que vivemos juntos dentro da Federação. Foram anos de convivência, de aprendizado, de confiança. Delfim não era só um dirigente… era liderança, era personalidade, era presença.
E ali, naquele estádio, em silêncio, com o coração apertado… eu entendi o tamanho da perda.
O jogo até aconteceu. O Sport venceu por 2 a 0.
Mas, sinceramente… naquele dia, o resultado era o que menos importava.
Porque o futebol mostrou algo muito maior.
Mostrou que ele também sabe parar.
Sabe respeitar.
Sabe homenagear.
Sabe eternizar.
E aquela camisa… eu guardo até hoje com um carinho que não cabe em palavras. Não é só mais uma na coleção. É, talvez, a mais especial de todas.
Porque ela carrega história.
Carrega dor.
Carrega saudade.
E carrega o nome de alguém que fez parte da minha vida.
Tem histórias que a gente conta…
E tem histórias que a gente sente.
Essa… eu sinto até hoje.
