Falando de Futebol – por Junior Moresco

O chamado quadrangular da morte do Catarinense Fort Atacadista escancara, já na segunda rodada, aquilo que todo mundo tenta negar: aqui não existe margem para erro, não existe amanhã confortável e muito menos espaço para covardia. Cada jogo é uma final antecipada, cada lance carrega o peso de um rebaixamento que pode marcar clubes, torcidas e histórias inteiras.

O clássico entre Figueirense e Joinville é, sem exagero algum, um divisor de águas. Estamos falando de duas camisas gigantes, que juntas somam 30 títulos estaduais, mas que hoje vivem um dos momentos mais delicados de suas trajetórias. Quem perder, na minha opinião, estará praticamente decretando sua queda para a Série B do Catarinense. E o empate? Um desastre silencioso, que empurra ambos para o abismo lentamente.

O Figueirense joga em casa, no Orlando Scarpelli, e isso precisa pesar — não pelo futebol apresentado, que é frágil, mas pela força histórica da instituição. A torcida alvinegra tem sofrido demais nos últimos anos, e não, esses jogadores não merecem aplausos pelo que entregaram até agora. Mas o clube precisa, mais uma vez, ser carregado no colo para evitar um pesadelo que seria o rebaixamento do Furacão do Estreito. Apoiar não é passar pano, é proteger o escudo. O protesto tem que continuar direcionado a quem realmente levou o Figueirense a esse cenário.

Acerto total da Federação ao escalar Ramon Abati Abel, o melhor árbitro de Santa Catarina, para um jogo dessa magnitude. Será uma partida extremamente tensa, nervosa, com jogadores sentindo o peso da camisa e do momento, e ele é, sem dúvida, o mais preparado para controlar um confronto dessa natureza.

No outro duelo da rodada, Marcílio Dias x Carlos Renaux coloca frente a frente duas equipes do Vale do Itajaí que começaram o quadrangular reagindo. Aqui o clima é diferente, mas não menos pesado. O Marcílio, jogando no Dr. Hercílio Luz, é para mim a melhor equipe tecnicamente deste quadrangular. Tem mais organização, mais alternativas e todas as condições de vencer, chegar aos seis pontos e encaminhar, com autoridade, sua permanência na elite pensando já no Catarinense de 2027. O Carlos Renaux, por sua vez, sabe que pontuar fora de casa pode ser decisivo para transformar a luta contra o rebaixamento em esperança real.

Fechamento

Serão duas partidas sufocantes, carregadas de nervosismo, medo e pressão extrema. Em Florianópolis, um clássico que pode empurrar um gigante para o fundo do poço. Em Itajaí, um duelo regional que vale fôlego, tranquilidade e sobrevivência. O quadrangular da morte não perdoa erros, não aceita empates acomodados e castiga quem treme nos momentos decisivos. Nesta rodada, mais do que futebol, estará em jogo o futuro de quatro clubes — e alguns deles podem não suportar o peso dessa tensão.

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@falandodefutebol26
Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

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