Falando de Futebol — por Junior Moresco

O futebol catarinense merece respeito. E, sinceramente, o que vimos neste fim de semana por parte da presidência da Federação Catarinense de Futebol foi exatamente o contrário disso.

Minutos antes do clássico entre Avaí e Figueirense, válido pela Recopa Catarinense, o presidente da federação, Rubens Renato Angelotti, o Rubinho, concedeu entrevista dizendo que a própria competição criada pela federação é um problema e que provavelmente nem existirá no ano que vem.

Sim, você leu certo.

O homem que deveria valorizar o produto do futebol catarinense resolveu diminuir a competição minutos antes da bola rolar para uma final.

Isso não é apenas falta de sensibilidade, Isso é desrespeito com o futebol.

E aqui entra algo ainda mais grave.

Enquanto o presidente tratava a competição como um problema, mais de 10 mil torcedores estavam na Ressacada, fazendo uma linda festa, empurrando seus clubes, vivendo aquilo que o futebol tem de mais bonito: a paixão da arquibancada.

Ou seja, de um lado o torcedor valorizando o espetáculo, do outro, o presidente da federação menosprezando o próprio evento que organiza.

Algo está completamente na contramão do futebol.

Dar uma declaração dessas horas antes de uma decisão é simplesmente jogar contra o próprio esporte.

Segundo o presidente, não foi possível conseguir premiação para o campeão. Mas curiosamente a federação arrecadou R$ 662.355,60 apenas com o Campeonato Catarinense, e somente na renda do jogo de ontem embolsou R$ 36.598,80.

Então fica a pergunta que ninguém responde:

faltou dinheiro ou faltou vontade de valorizar o futebol?

A gestão atual parece ter uma enorme facilidade em criar problemas que poderiam ser resolvidos com planejamento.

O Figueirense reclamou do desgaste após a viagem da Copa do Brasil. Mas por que a federação não pensou nisso antes? Por que não organizou a Recopa durante o próprio Campeonato Catarinense, aproveitando um dos clássicos da competição?

Planejamento básico.

Mas talvez planejamento não seja exatamente o forte da atual administração.

O Campeonato Catarinense deste ano conseguiu produzir uma situação quase inacreditável: o terceiro colocado, o Criciúma, recebeu troféu e medalhas, enquanto o vice-campeão não recebeu absolutamente nada.

Simplesmente surreal.

No futebol do mundo inteiro o vice é reconhecido. Aqui conseguiram criar um regulamento onde o terceiro é premiado e o segundo não existe.

Outro ponto que chama atenção é o regulamento que rebaixou três clubes em um campeonato de apenas 12 equipes.

Façam a conta.

O Campeonato Brasileiro tem 20 clubes e rebaixa quatro.

O Catarinense tem 12 e rebaixou três.

Isso não fortalece o futebol, isso desorganiza e enfraquece o sistema.

E os números mostram que algo realmente não vai bem.

Santa Catarina já chegou a ocupar a quarta posição no ranking das federações do país, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Hoje o estado caiu para a oitava colocação.

Uma queda enorme, e mesmo assim parece que ninguém dentro da federação se preocupa com isso.

Enquanto o futebol catarinense perde espaço no cenário nacional, o balanço financeiro da federação mostra lucro de R$ 2.992.097,45.

Quase três milhões de reais de superávit.

Enquanto isso, muitos clubes do estado lutam para sobreviver.

Outro dado impressionante: a arrecadação da Federação Catarinense no Campeonato Estadual foi maior que a de nove clubes da competição, ficando atrás apenas de Chapecoense, Avaí e Figueirense.

Mais curioso ainda: se somarmos as receitas de Barra (campeão), Camboriú, Concórdia e Carlos Renaux, ainda assim o total é menor que o arrecadado pela própria federação.

Algo está claramente invertido, a federação deveria fortalecer os clubes e não competir com eles em arrecadação.

E quando olhamos para as pessoas que hoje orbitam o comando do futebol catarinense, a preocupação aumenta.

Temos Carlos Crispim, que deixou o Marcílio Dias com uma dívida gigantesca, e Luiz Henrique, ligado à associação de clubes, que prometia levar o Tubarão à Série A do futebol brasileiro em 2024 e saiu deixando o clube mergulhado em problemas.

Diante de tudo isso, fica difícil não fazer uma pergunta simples:

quem realmente está cuidando do futebol catarinense?

Porque quem gosta de futebol não chama uma final de problema.

Quem gosta de futebol valoriza a competição, respeita os clubes e enaltece o torcedor.

Infelizmente, a impressão que fica é que o presidente Rubens Renato Angelotti demonstra cada vez mais estar desconectado do que o futebol realmente representa.

Talvez por isso consiga tratar uma decisão como um incômodo.

Mas quem ama futebol sabe que uma final nunca é um problema.

Problema é quando quem deveria defender o futebol parece não entender o tamanho dele.

E ontem ficou claro:

mais de 10 mil torcedores entenderam o valor do espetáculo.

Quem parece não ter entendido foi justamente quem deveria liderar o futebol catarinense.

Junior Moresco

Falando de Futebol

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Falando de Futebol – por Junior Moresco

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Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

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