Falando de Futebol por Junior Moresco

Tem coisa no futebol que eu sinceramente não consigo entender. O Avaí levou 3 a 0 da Chapecoense no jogo de volta da final da Copa Sul-Sudeste. Levou três gols de cabeça, foi dominado durante boa parte da partida e, se o jogo tivesse mais alguns minutos, talvez tivesse sofrido o quarto gol. Foi uma atuação preocupante e que deveria ter servido de alerta máximo para todos dentro da Ressacada.

Mas bastou vencer nos pênaltis para que muita gente colocasse tudo para debaixo do tapete.

O título tem valor? Claro que tem. Troféu é troféu e ninguém apaga uma conquista. Mas também não pode servir como cortina de fumaça para esconder problemas que estão cada vez mais evidentes.

Enquanto parte da torcida comemorava, enquanto alguns dirigentes agiam como se tudo estivesse resolvido e enquanto determinados setores da imprensa exaltavam apenas a taça, a realidade continuava batendo à porta: um time fragilizado, uma defesa insegura e uma campanha assustadora na Série B.

O resultado está aí para quem quiser enxergar.

São dez partidas sem vencer. O Avaí entrou na zona de rebaixamento com apenas 10 pontos conquistados em 12 rodadas. Uma pontuação incompatível com um clube que iniciou o ano falando em acesso. E o mais preocupante é perceber que parece existir uma normalização do fracasso.

Perde? Normal.

Toma gol de cabeça novamente? Normal.

Entra na zona de rebaixamento? Normal.

Fica dez jogos sem vencer? Normal.

Não, não é normal.

O Avaí é grande demais para aceitar isso como rotina.

Também chama atenção a quantidade de discussões sobre SAF que circulam nos bastidores da Ressacada. É legítimo debater modelos de gestão e o futuro financeiro do clube. O problema é quando parte da energia gasta nessas discussões deixa em segundo plano aquilo que deveria ser a prioridade absoluta neste momento: montar um time competitivo e garantir a permanência na Série B.

Antes de pensar em futuro, é preciso cuidar do presente.

Antes de discutir quem vai administrar o clube daqui alguns anos, é necessário impedir que ele afunde agora.

A história do futebol brasileiro está cheia de exemplos que servem de alerta. Clubes tradicionais que acreditaram que o tamanho da camisa seria suficiente para evitar tragédias acabaram descobrindo da pior forma que a Série C não escolhe vítimas.

O próprio futebol catarinense conhece bem essa realidade. Figueirense e Joinville são exemplos claros do quanto um rebaixamento pode causar danos esportivos, financeiros e institucionais.

Por isso, a direção do Avaí precisa assumir o protagonismo que o momento exige.

Não basta apontar problemas herdados.

Não basta falar das dificuldades encontradas.

Quem assume a presidência de um clube do tamanho do Avaí sabe que receberá bônus e ônus. Foi para resolver problemas que a atual gestão foi eleita.

O torcedor não quer desculpas. O torcedor quer soluções.

A cada rodada que passa, o campeonato fica mais curto e o risco aumenta. As próximas partidas são difíceis, a tabela é pesada e a margem para erro praticamente desapareceu.

O título da Copa Sul-Sudeste ficará para sempre na galeria da Ressacada. Mas se o Avaí terminar o ano rebaixado para a Série C, ninguém vai lembrar dos pênaltis contra a Chapecoense. O que ficará marcado será o fracasso de uma temporada que tinha tudo para ser diferente.

Ainda há tempo para reagir.

Mas o relógio está correndo.

E a Ressacada precisa acordar antes que seja tarde demais.

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@falandodefutebol26
Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

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