Falando de Futebol – por Junior Moresco
Último catarinense cai e a Série D escancara a fragilidade do nosso futebol
Chegou ao fim a caminhada dos clubes catarinenses na Série D do Campeonato Brasileiro. O último representante do Estado, o Marcílio Dias, foi até São Paulo precisando vencer para manter vivo o sonho do acesso, mas acabou derrotado por 2 a 0 pela Portuguesa e deu adeus à competição.
Depois do empate por 1 a 1 no jogo de ida, em Itajaí, o Marinheiro precisava buscar o resultado fora de casa. No entanto, encontrou uma Portuguesa organizada, empurrada pela sua torcida e que soube aproveitar as oportunidades. Lucas Hipólito abriu o placar ainda no primeiro tempo e Igor Torres, já na etapa final, fechou a classificação da Lusa para a próxima fase.
O Marcílio Dias lutou, tentou competir, mas voltou a esbarrar nas limitações que acompanharam a equipe durante boa parte da temporada. Faltou poder de decisão, criatividade e força ofensiva para buscar uma reação quando o jogo mais exigia personalidade.
Com a eliminação do Marinheiro, encerra-se também a participação de Santa Catarina na Série D. E isso precisa servir como um alerta. Um estado que se orgulha de revelar jogadores, de ter tradição e de viver intensamente o futebol não pode ver todos os seus representantes ficando pelo caminho tão cedo.
A verdade é que o futebol catarinense precisa olhar com mais atenção para seus clubes do interior. Falta investimento, planejamento de longo prazo e elencos mais competitivos. A Série D deixou de ser um campeonato simples há muito tempo. Hoje, quem sobe é quem consegue unir estrutura, organização e qualidade dentro de campo.
Agora, o Marcílio Dias vira a chave e passa a concentrar todas as suas forças na Copa Santa Catarina. Será uma nova oportunidade para buscar um título e, principalmente, garantir calendário nacional para a próxima temporada.
Mas fica a sensação de que Santa Catarina poderia - e deveria - ter ido muito mais longe. Para um estado que sempre foi respeitado no cenário nacional, terminar a Série D sem nenhum clube vivo nas fases decisivas é um resultado que merece reflexão. Se nada mudar, continuaremos vendo nossos adversários comemorarem enquanto o futebol catarinense fica apenas assistindo.
