Falando de Futebol Por Junior Moresco
A Seleção Brasileira está fora da Copa do Mundo.
Dói escrever isso. Dói porque, acima de tudo, sou brasileiro e apaixonado por futebol. Como milhões de pessoas, cresci vendo a Copa do Mundo parar o país, unir famílias, colorir as ruas de verde e amarelo e despertar um sentimento que nenhum outro esporte consegue proporcionar.
Mas a verdade precisa ser dita.
A eliminação do Brasil não foi uma surpresa. Foi a consequência de uma sucessão de erros.
Ganhar ou perder faz parte do futebol. O que não pode fazer parte é errar tanto antes mesmo de a bola começar a rolar.
Minha primeira pergunta continua sem resposta.
Qual foi a lógica de buscar um treinador estrangeiro, recebendo um dos maiores salários do futebol mundial, vindo justamente de um país que há décadas também não consegue conquistar uma Copa do Mundo?
Nome não ganha título. Planejamento, convicção e escolhas corretas, sim.
E foi exatamente nisso que o Brasil falhou.
Não consigo aceitar uma Copa do Mundo sem Pedro. Hoje, o atacante do Flamengo é, para mim, o melhor camisa 9 brasileiro. Um centroavante que vive de fazer gols, domina a área, decide partidas e oferece uma característica que faltou durante praticamente toda a campanha brasileira.
Preferiram abrir mão disso.
Também não consigo entender Danilo como titular. Um atleta experiente, respeitável, mas que nem no Flamengo consegue ser dono absoluto da posição. A Seleção Brasileira precisa viver do presente, e não do passado.
Outro capítulo difícil de explicar foi Neymar.
Se estava recuperado, tinha que começar jogando. E permanecer em campo até onde seu físico suportasse. Criticar Neymar virou moda, mas basta olhar para dentro de campo para perceber uma realidade evidente:
Se já é difícil com Neymar, sem ele é muito pior.
Outro problema foi insistir em jogadores que nunca conseguiram repetir na Seleção o desempenho que apresentam em seus clubes.
Alisson é um excelente goleiro, mas nunca transmitiu aquela liderança que marcaram gerações anteriores.
Marquinhos é um fenômeno no clube onde atua, mas com a camisa da Seleção coleciona eliminações dolorosas.
Casemiro construiu uma carreira extraordinária no futebol europeu, porém também ficou devendo quando o Brasil mais precisou.
E Vini Júnior... Talvez o melhor jogador brasileiro da atualidade.
Mas Copa do Mundo exige que os grandes apareçam nos grandes momentos. E, justamente quando a Seleção mais precisou de seu principal talento ofensivo, ele simplesmente não conseguiu decidir.
As escolhas do elenco também ficaram difíceis de defender.
Luiz Henrique praticamente não entrou.
Thiago apareceu apenas na estreia e depois desapareceu completamente dos planos do treinador.
Então por que convocá-los?
Em uma Copa do Mundo cada vaga vale ouro. Não existe espaço para levar jogadores apenas para completar elenco.
Mas seria injusto colocar toda a culpa apenas na comissão técnica.
O maior problema está acima dela.
Está na CBF.
Há anos a entidade vive cercada por disputas políticas, trocas de comando, escândalos, denúncias e interesses que parecem estar sempre acima do futebol.
Enquanto a torcida sonha com o hexacampeonato, a CBF insiste em protagonizar manchetes que nada têm a ver com a bola rolando. Nos últimos meses, o noticiário falou muito mais sobre bastidores, disputas internas e denúncias envolvendo a direção da entidade do que sobre um verdadeiro projeto esportivo para recolocar o Brasil no topo do mundo.
Essa é uma seleção que perdeu identidade.
Perdeu personalidade. Perdeu o respeito que naturalmente impunha aos adversários.
E, infelizmente, perdeu também o hábito de decidir.
O futebol brasileiro continua produzindo talentos extraordinários. O problema não está na falta de jogadores.
O problema está em quem escolhe, em quem planeja e em quem dirige o nosso futebol.
A camisa amarela continua sendo a mais pesada do planeta.
Mas quem administra o futebol brasileiro parece não compreender mais o tamanho da responsabilidade que carrega.
Hoje estou triste, Triste como torcedor, Triste como apaixonado por futebol, Mas não estou surpreso.
Quem assistiu a esta Seleção com a razão, e não apenas com o coração, percebeu há muito tempo que este desfecho era perfeitamente possível.
Agora espero que a derrota sirva como um choque de realidade.
Que a CBF pare de fazer política e volte a fazer futebol.
Que a meritocracia volte a ser critério nas convocações.
Que a camisa da Seleção volte a ser conquistada dentro de campo.
E que o Brasil recupere aquilo que sempre foi sua maior marca: jogar futebol com alegria, personalidade e coragem.
Enquanto isso, sigo fazendo aquilo que mais gosto.
Volto meus olhos para o futebol catarinense, para Avaí, Figueirense, Criciúma, Chapecoense, Brusque, Barra, Marcílio Dias e tantos outros clubes que, com muito menos dinheiro, muito menos estrutura e infinitamente menos vaidade, continuam mostrando que o futebol ainda pode ser tratado com seriedade.
Porque a Copa termina.
