MEMÓRIAS DA ARBITRAGEM – por Junior Moresco
Nem sempre o protagonista do futebol veste camisa, marca gols ou levanta taças. Muitas vezes, ele corre pelas laterais, observa em silêncio, decide em segundos e carrega nas costas o peso de um jogo inteiro. A arbitragem é parte essencial da história do futebol — ainda que quase nunca receba o reconhecimento que merece.
A série “Memórias da Arbitragem” nasce para resgatar histórias, valorizar trajetórias e, sobretudo, humanizar homens que dedicaram a vida ao futebol sob pressão constante, longe dos holofotes e quase sempre julgados apenas pelo erro.
Aqui, os números importam. As grandes partidas importam. As Copas, finais e decisões também.
Mas acima de tudo, importam as pessoas.
Nesta série, não falo apenas de árbitros e assistentes. Falo de parceiros, de amigos, de profissionais que ajudaram a construir o futebol com seriedade, caráter e paixão. Histórias que merecem ser lembradas, registradas e respeitadas.
Porque antes do apito, da bandeira e da regra, existe o ser humano.
E é dele que tratam essas memórias.
E hoje escrevo sobre alguém que foge completamente dos números frios — embora eles também sejam gigantes. Hoje falo de um cara baixinho no tamanho, mas imenso como pessoa. Pequeno na estatura, mas gigante como assistente de arbitragem. Falo de Emerson Augusto de Carvalho.
Emerson é dessas figuras raras que o futebol nos presenteia. Um nome internacional da arbitragem brasileira, reconhecido nos maiores palcos do mundo, mas que nunca perdeu aquilo que realmente o tornou especial: a simplicidade, o bom humor e a luz própria que carregava para dentro e fora de campo.
Tivemos a felicidade de dividir inúmeros jogos, em Santa Catarina e fora do Estado. E todas — absolutamente todas — as vezes em que encontrei o Emerson, ele estava do mesmo jeito: sorridente, leve, acessível, com uma energia positiva que contagiava quem estivesse por perto. Dentro de campo, era sinônimo de segurança. Aquele tipo de assistente que te deixa tranquilo, que transmite confiança, que parece estar sempre um passo à frente do lance.
A carreira fala por si. Foram mais de dez anos como assistente FIFA, presença constante nas principais competições do planeta. Duas Copas do Mundo no currículo — 2014, no Brasil, e 2018, na Rússia — algo que pouquíssimos conseguem alcançar. Emerson esteve em seis partidas de Copas do Mundo, número que o coloca entre os auxiliares brasileiros mais atuantes da história dos Mundiais.
Seu currículo internacional ainda inclui Copas do Mundo Sub-20 (2011 e 2013), Copa do Mundo Sub-17 (2017) e o Mundial de Clubes da FIFA (2013), além de inúmeras atuações em Eliminatórias da Copa do Mundo, Libertadores da América e Copa Sul-Americana. No futebol brasileiro, esteve presente por anos em jogos decisivos do Campeonato Brasileiro e das Copas nacionais, sempre com o mesmo nível de excelência.
Mas o que realmente diferencia o Emerson não cabe em estatísticas.
Ele sempre foi um grande parceiro. Daqueles que respeitam, orientam, protegem a equipe e entendem que arbitragem também é trabalho coletivo. E, acima de tudo, sempre foi — e continua sendo — um grande amigo. Mesmo depois da aposentadoria, seguimos trocando mensagens, risadas e lembranças. O tempo passou, os campos mudaram, mas o carinho e o respeito seguem intactos.
Emerson se aposentou do apito, mas jamais se aposentou do futebol. Seu legado está na memória de quem trabalhou ao seu lado, na confiança de quem esteve em campo com ele e na história da arbitragem brasileira, que tem nele um de seus grandes representantes.
E para que a história fique registrada, como o futebol merece, ficam também os números — não como fim, mas como testemunhas de uma trajetória gigante:
Emerson Augusto de Carvalho
📍 Marília (SP) – Brasil
🎂 Nascimento: 24 de junho de 1972
🌍 Assistente FIFA por mais de uma década
🏆 Copas do Mundo FIFA: 2 (2014 e 2018)
⚽ Jogos em Copas do Mundo: 6
🌎 Competições internacionais: Mundiais FIFA, Eliminatórias, Libertadores e Sul-Americana
Fica aqui não apenas o reconhecimento ao profissional exemplar, mas a homenagem sincera ao homem. Ao amigo. Ao parceiro. Àquele que fez do futebol um lugar mais leve, mais justo e, sem dúvida, mais humano.
Obrigado por tudo, Emerson.
O futebol agradece.
E eu, como amigo, agradeço ainda mais.
