Falando de Futebol por Junior Moresco
Tem jogo que explica uma campanha inteira. E o empate sem gols do Figueirense diante do Confiança foi exatamente isso.
Os números impressionam: foram 22 finalizações contra 11, 54% de posse de bola, seis chutes no alvo e incríveis 17 escanteios a favor. Estatísticas que mostram um time presente no campo ofensivo, mas que escancaram um velho problema: o Figueirense não sabe transformar volume de jogo em gols.
No fim das contas, o que vale é o placar. E ele marcou 0 a 0, resultado que frustrou os 3.920 torcedores que enfrentaram o frio da noite de segunda-feira no Estádio Orlando Scarpelli acreditando que finalmente chegaria uma vitória capaz de colocar o Alvinegro a apenas três pontos do G-8.
Mas ela não veio.
Na verdade, foram poucas chances realmente claras durante toda a partida. O Figueirense rondou a área adversária, cruzou bolas, pressionou, acumulou escanteios, mas pecou exatamente onde uma equipe que sonha com classificação não pode falhar: na conclusão das jogadas.
E esse filme o torcedor já conhece de cor. O time até compete, em alguns momentos parece superior, mas falta qualidade, criatividade e, principalmente, poder de decisão dentro da área.
A cada rodada que passa, a classificação para a segunda fase fica mais distante. Restando apenas cinco jogos, já não basta fazer a própria parte. O Figueirense começa a depender também de tropeços dos adversários, algo que nunca é uma situação confortável.
Se a luta pelo acesso parece cada vez mais improvável, pelo menos existe um alívio em relação ao regulamento. Nesta temporada, apenas dois clubes serão rebaixados para a Série D. Porque, se a fórmula fosse a dos últimos anos, o sinal de alerta estaria ainda mais ligado: o Figueirense estaria somente um ponto acima da 18ª colocação, vivendo novamente o drama de lutar contra o rebaixamento.
É duro admitir, mas a realidade alvinegra é essa. O acesso virou quase um milagre, e o torcedor já começa a olhar mais para baixo da tabela do que para cima. Um clube do tamanho do Figueirense não pode se acostumar a fazer campanhas tão pobres na Série C.
O Scarpelli merece muito mais. E a torcida também.
