Falando de Futebol – por Junior Moresco
Será que ainda tem o que falar do Figueirense? Talvez não em termos de surpresa, mas sempre há o que dizer quando o fundo do poço ganha um novo subsolo. Vexame, vergonha, decepção. Poderia parar por aí e já estaria tudo dito. Mas o jogo de hoje exige mais do que adjetivos soltos: exige indignação.
Perder para o Carlos Renaux por 1 a 0, em Brusque, já seria um resultado duro de engolir por si só. Agora, perder jogando contra um adversário que passou boa parte da partida com um jogador a menos é algo que ultrapassa o limite do aceitável. Não é acidente de percurso. É retrato fiel do que o Figueirense se transformou.
O que se viu em campo foi um time sem alma, sem comando, sem reação. Um Figueirense apático, incapaz de se impor mesmo com superioridade numérica. A bola queimava nos pés, as ideias não existiam e a sensação era de que o relógio corria contra um time que parecia não saber o que fazer nem quando teve todas as condições para mudar o rumo do jogo.
Não houve pressão organizada, não houve postura de time grande, não houve indignação dentro das quatro linhas. E isso é o mais grave. Porque perder faz parte do futebol. Agora, aceitar perder, se acomodar na mediocridade, isso é imperdoável para um clube do tamanho do Figueirense.
A derrota de hoje não é apenas mais um resultado negativo. Ela simboliza o abandono da identidade alvinegra. Um clube que já foi temido, respeitado, competitivo, hoje é previsível, frágil e pequeno em campo. E dói dizer isso, mas alguém precisa dizer.
A torcida não merece esse roteiro repetido de fracassos. O escudo do Figueirense não merece ser arrastado dessa forma. E enquanto não houver mudanças profundas de postura, de comando, de responsabilidade o torcedor seguirá convivendo com noites como a de hoje: constrangedoras, revoltantes e difíceis de explicar.
O problema do Figueirense não é perder para o Carlos Renaux.
O problema é parecer normal perder assim.
E isso, sim, é a maior derrota.
