Falando de Futebol – por Junior Moresco
O Figueirense fez o básico: venceu. E, neste momento, pouco importa o “como”. O que vale é sair do sufoco, somar pontos e manter viva a chance de escapar dessa degola que envergonha. Futebol também é sobrevivência, e o Figueira respirou.
Mas que não se tente vender isso como redenção.
Com apenas 2.834 torcedores numa sexta-feira à noite, em plena abertura do Carnaval de Florianópolis, o Figueirense jogava mais uma decisão atolado numa draga esportiva. O contraste com a cidade em festa é simbólico do tamanho da crise: enquanto Florianópolis celebra, o clube luta para não afundar.
O jogo começou como manda o roteiro do medo. Logo no primeiro minuto, Arthur Henrique vacilou feio na saída de bola e o JEC quase abriu o placar. O erro segue sendo rotina. Márcio Zanardi mexeu mais uma vez no time, tentando encontrar soluções onde hoje só há improviso.
O gol saiu aos 16 minutos: cruzamento preciso de Wesley e cabeceio certeiro de Kayke. Alívio total. O camisa 99 tirou um caminhão das costas e chegou ao segundo gol com a camisa alvinegra. Importante para ele, vital para o Figueirense.
A vitória precisa ser valorizada, sim. Perder seria desastroso. Mas não pode servir de maquiagem. Estar disputando o quadrangular da morte já é um vexame por si só para um clube desse tamanho.
O recado é simples e ácido: vencer era obrigação, não feito heroico. Comemora-se o resultado, mas a crítica segue. Fugir do rebaixamento é o mínimo. Muito pouco para quem já foi muito mais.
