Falando de Futebol – por Junior Moresco
Muitas pessoas me procuraram no WhatsApp e também nas mensagens do Instagram @falandodefutebol26 pedindo minha opinião sobre a expulsão do atleta Carrascal, do Flamengo. E antes de qualquer coisa: deixo o clubismo totalmente de lado. Não escondo de ninguém que sou torcedor do Corinthians, mas isso não me impede de apontar o que considero um erro grave de procedimento.
O que aconteceu foi, no mínimo, preocupante.
Ao final do primeiro tempo, o árbitro chama os dois capitães — Gustavo Henrique, do Corinthians, e Arrascaeta, do Flamengo — conversa com ambos, sinaliza que o assunto está resolvido e encerra o primeiro tempo, mandando todos para o vestiário.
A partir desse momento, o episódio deveria estar encerrado.
Primeiro prejuízo: ambos os treinadores montaram suas estratégias para o segundo tempo em um 11 contra 11. Segundo prejuízo — ainda mais sério —: o futebol tem ritos, procedimentos e limites claros. Ir para o vestiário encerra um capítulo do jogo. Voltar atrás depois disso abre uma brecha enorme para questionamentos.
E é aqui que mora o problema maior: a margem escancarada para interferência externa.
Se eu sou dirigente do Flamengo, solicito imediatamente a quebra de sigilo do VAR desde o apito final do primeiro tempo até o reinício da partida. É um direito. Transparência não pode ser seletiva.
Podem dizer que está amparado em regulamento, podem citar diretrizes da FIFA, podem tentar justificar tecnicamente. Mas, na prática, foi um erro de procedimento e de ética. O árbitro teve o lance, teve tempo, teve diálogo em campo e optou por encerrar o primeiro tempo. O futebol não pode funcionar no modo “volta a fita” depois que todos já estão no vestiário.
E faço aqui uma pergunta direta à Comissão de Arbitragem da CBF:
👉 Se esse lance fosse dentro da área penal, antes do início do segundo tempo, o jogo também voltaria para marcar pênalti?
Porque a alegação é clara: “a bola não havia retornado em jogo”. Então vamos até o fim dessa lógica. Se fosse um toque faltoso dentro da área, o correto seria reiniciar o segundo tempo com pênalti marcado?
Percebem o tamanho do problema?
O futebol precisa de cuidado. Precisa de coerência. Precisa preservar sua essência. Senão, amanhã qualquer decisão pode ser revista no intervalo, no túnel ou no vestiário, desde que alguém julgue conveniente.
E deixo claro, para não haver distorção: não contesto a expulsão em si. O lance do braço no rosto do jogador do Corinthians é, sim, para cartão vermelho. O erro não está na decisão, está na forma como ela foi executada.
Procedimento importa. Ética importa. Segurança jurídica importa.
Essa é a minha opinião, respeitando todos que pensam diferente — mas sem fechar os olhos para um precedente extremamente perigoso.
“Quando o jogo acaba no apito, mas a decisão nasce no vestiário, o futebol deixa de ser jogo e vira precedente.”
“Se dá para voltar para expulsar, amanhã também vai dar para voltar para marcar pênalti?”
Junior Moresco
