Eles Fizeram História – Delfim Pádua Peixoto Filho

Escrever sobre você, Delfim, nunca é simples. Não porque faltem palavras, mas porque elas sempre parecem pequenas diante do que você representou na minha vida. Foram 17 anos caminhando ao teu lado, aprendendo, errando, acertando, crescendo. Mais do que presidente, mais do que dirigente, você foi um segundo pai. Daqueles que orientam, cobram, protegem e ensinam pelo exemplo.

Você não falava muito de sentimentos, mas demonstrava todos os dias. Demonstrava na forma como defendia o futebol catarinense, como brigava por cada clube, como atravessava o Estado inteiro para estar presente. Eu vi isso de perto. Nós vivemos isso juntos. Estádio por estádio, estrada por estrada, conversa por conversa.

A tua história começa muito antes da Federação. Em Itajaí, na sala de aula, na política estudantil, na advocacia ao lado do teu pai, na resistência, na coragem de quem nunca teve medo de se posicionar. Essa formação moldou o dirigente que você se tornou: firme, leal, direto e justo.

Quando assumiu a Federação Catarinense de Futebol, em 1985, você tinha um objetivo claro: fazer Santa Catarina ser respeitada. E conseguiu. Transformou a Federação em referência nacional, levando-a ao 3º lugar no Ranking das Federações do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Mais do que números, aquilo representava credibilidade, organização e força política.

Foram anos de conquistas: Copa do Brasil com o Criciúma, finais nacionais, acessos, quatro clubes na Série A, presença constante em competições internacionais. Foi contigo que o futebol catarinense passou a ser visto, transmitido, valorizado. Foi contigo que chegamos ao Premiere, foi contigo que os clubes tiveram os melhores contratos de transmissão da sua história. Você entendia que o futebol precisava de estrutura para crescer.

Mas havia um sonho que você carregava de forma especial. Um sonho que falava de futuro, de pertencimento, de legado. A sede própria da Federação Catarinense de Futebol. Eu lembro de cada conversa, de cada plano, de cada obstáculo. E lembro, principalmente, do teu olhar quando aquele sonho se tornou realidade.

A sede em Balneário Camboriú não é apenas um prédio. Ela é símbolo da tua visão. Um espaço moderno, bonito, funcional. Uma das sedes mais bonitas entre todas as federações do Brasil. Ali ficou materializado tudo aquilo que você acreditava: organização, respeito, grandeza. Você buscou esse sonho, lutou por ele e deixou algo que permanecerá por gerações.

Eu estive contigo em muitas funções, diretor de ligas, diretor de arbitragem, chefe de gabinete. Mas acima dos cargos, estive contigo como alguém em quem você confiava. E essa confiança me marcou para sempre. Você me ensinou a ser firme quando precisava, humano quando dava, e leal sempre. Muitas vezes me cobrou como pai. Muitas vezes me protegeu como pai. E eu nunca vou esquecer disso.

No dia em que você embarcou com a Chapecoense rumo à Colômbia, você estava feliz. Orgulhoso. A Chape vivia um momento histórico, e você sentia que o futebol catarinense tinha chegado longe. A tragédia do voo da LaMia, em 28 de novembro de 2016, nos tirou você de forma cruel. Tirou também a principal referência política do nosso futebol.

Desde então, sentimos a tua falta todos os dias. O futebol catarinense perdeu voz, perdeu força, perdeu alguém que batia na mesa e era ouvido. Os clubes ficaram órfãos. O Estado ficou menor nos bastidores nacionais.

Para mim, a tua ausência é ainda mais profunda. Falta o conselho, a conversa, o olhar de aprovação, a cobrança firme. Falta você.

Mas a tua história segue viva. Em cada clube fortalecido. Em cada jovem formado. Em cada jogo transmitido. Em cada dirigente que aprendeu contigo. E naquela sede, em Balneário Camboriú, que carrega silenciosamente a tua presença todos os dias.

Você fez história, Delfim.

E mais do que isso: você fez pessoas.

Obrigado por tudo.

Com respeito, gratidão e saudade.

Junior Moresco

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Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

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