Hoje, quando olho para a Ressacada, sei que uma parte da história tem teu nome. Sei que o Avaí nunca mais foi o mesmo depois de você.

Eles Fizeram História – Dr. João Nilson Zunino - por Junior Moresco.

Falar de Dr. João Nilson Zunino é falar de Avaí. É falar da Ressacada pulsando, do Leão da Ilha respeitado, é lembrar de um tempo em que o torcedor entrava no estádio com o peito estufado, orgulhoso, acreditando que o Avaí podia encarar qualquer um. Zunino não foi apenas presidente do Avaí. Ele foi torcedor, líder, escudo e coração.

Quando assumiu o clube, o cenário era duro. Críticas, desconfiança, pressão. Os gritos de “Fora Zunino” ecoavam nas arquibancadas, mas ele nunca recuou. Porque quem ama de verdade não abandona. E Zunino amava o Avaí como poucos. Amava no silêncio, no trabalho, na responsabilidade. Não governava para agradar, governava para construir.

E construiu. Sob sua gestão, o Avaí viveu o maior capítulo da sua história. O clube alcançou a melhor campanha de um clube catarinense na Série A do Campeonato Brasileiro, um feito que até hoje é motivo de orgulho para qualquer avaiano. Naquele tempo, a Ressacada era um caldeirão. O Avaí era competitivo, organizado, respeitado. O Leão da Ilha deixou de ser coadjuvante para ser protagonista. Santa Catarina passou a ser olhada com outros olhos no cenário nacional.

Esse Avaí tinha a cara do Zunino: aguerrido, sério, leal às suas convicções. Ele defendia o clube como torcedor e administrava como grande empresário. Sabia sofrer, sabia aguentar pressão, mas nunca abriu mão da dignidade do Avaí. E o tempo tratou de fazer justiça.

Mas se como presidente ele foi gigante, como homem ele foi ainda maior. E aqui eu falo com o coração apertado, porque não escrevo apenas sobre um dirigente histórico, escrevo sobre um amigo que faz muita falta.

Zunino era amigo do peito. Daqueles que a gente conversa quase todos os dias. Que escuta, aconselha, se preocupa. Que está presente não só nos momentos bons, mas principalmente nos momentos importantes da vida. Nunca vou esquecer o dia em que meu filho Renan nasceu. Em plena Sexta-feira Santa, enquanto o mundo seguia seu ritmo, a primeira pessoa a chegar na maternidade foi ele. Sem alarde, sem holofote. Apenas com seu jeito simples, humilde, verdadeiro. Foi ver meu menino. Foi ser amigo. Foi ser Zunino.

Ele nos deixou cedo demais. Cedo demais para o Avaí, cedo demais para o futebol catarinense, cedo demais para nós, amigos. A sensação é de que ainda havia muito a ser vivido, muitas conversas a serem feitas, muitos cafés, muitos conselhos, muitas risadas. A falta que ele faz não é só no futebol — é na vida.

No futebol catarinense, seu nome sempre foi sinônimo de respeito. Como presidente da Associação de Clubes Profissionais de Santa Catarina, lutou pelo fortalecimento dos clubes e construiu uma relação de amizade, lealdade e cumplicidade com o saudoso Delfim Peixoto. Uma parceria rara, baseada na confiança e no amor pelo futebol do nosso estado.

Dr. João Nilson Zunino foi respeitado nacionalmente, mas acima de tudo foi querido. Querido pelo Avaí, querido pelos amigos, querido por quem teve o privilégio de conviver com ele. Ele partiu cedo, mas deixou um legado eterno. Um legado que vive na história do Avaí, nas arquibancadas da Ressacada, nas páginas do futebol catarinense e, principalmente, no coração de quem sente saudade.

Alguns dirigentes passam.

Alguns presidentes são lembrados.

Poucos se tornam eternos.

Zunino é eterno.

E faz muita falta.

Com saudade,

Junior Moresco

Falando de Futebol


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Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

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