Falando de Futebol por Junior Moresco

Quem diria? Uma competição que nasceu sem apelo popular, sem espaço na mídia nacional e com públicos que muitas vezes lembravam jogos de categorias de base, chega à sua decisão com a promessa de casa cheia na Ressacada.

E é preciso reconhecer: o Avaí conseguiu fazer do limão uma grande limonada.

A Copa Sul-Sudeste foi tratada por muitos como uma competição secundária, sem grande valor esportivo ou comercial. Os números comprovam isso. Na primeira fase foram disputadas 36 partidas com um público total de apenas 33.248 torcedores, uma média de modestos 923 espectadores por jogo.

O ranking de público da primeira fase mostra bem essa realidade:

  • Chapecoense: 6.775 torcedores (média de 2.258)
  • Avaí: 4.956 torcedores (média de 1.652)
  • Caxias: 5.324 torcedores (média de 1.775)
  • América-MG: 2.665 torcedores (média de 888)
  • Operário-PR: 2.181 torcedores (média de 727)
  • Juventude: 1.906 torcedores (média de 635)
  • Volta Redonda: 1.864 torcedores (média de 621)
  • Novorizontino: 1.846 torcedores (média de 615)
  • São Bernardo: 1.420 torcedores (média de 473)
  • Tombense: 1.167 torcedores (média de 389)
  • Sampaio Corrêa: 604 torcedores (média de 201)
  • Cianorte: 187 torcedores (média de apenas 63 por partida)

Nas semifinais os números seguiram modestos. Volta Redonda x Avaí teve apenas 428 torcedores no jogo de ida. Novorizontino x Chapecoense reuniu 623 pessoas. Nos jogos de volta, o Avaí levou 2.545 torcedores à Ressacada e a Chapecoense colocou 4.351 na Arena Condá.

Ou seja: estamos falando de uma competição que claramente não conseguiu despertar o interesse popular durante grande parte de sua realização.

Mas futebol é feito de contexto.

E o contexto mudou completamente.

O Avaí percebeu isso e trabalhou de forma inteligente. Em plena paralisação da Série A por conta da Copa do Mundo, o clube transformou a decisão em um grande evento. A expectativa é de aproximadamente 15 mil torcedores na Ressacada nesta noite, algo digno de aplausos pela estratégia de marketing adotada pelo clube.

Mais do que isso, a decisão ganha um peso enorme porque vale muito mais do que uma simples taça.

Vale uma vaga na milionária Copa do Brasil de 2027.

Vale a rivalidade estadual.

Vale a afirmação de um projeto esportivo.

Vale o orgulho de levantar um título diante de um adversário catarinense.

E quando falamos em rivalidade, estamos falando de um confronto que ganhou capítulos importantes nos últimos anos. Avaí e Chapecoense decidiram o Campeonato Catarinense de 2025 em uma final cercada por polêmicas e reclamações do Verdão do Oeste. Desde então, cada encontro entre Capital e Interior passou a carregar ainda mais tensão e competitividade.

Outro dado curioso mostra a aposta feita pelo Avaí nessa competição. Jogando quatro vezes em casa — três na primeira fase e uma semifinal — o clube acumulou um prejuízo total de R$ 113.100,47 nos borderôs.

Em outras palavras, o Avaí literalmente pagou para disputar a competição.

Mas agora a conta pode fechar.

Porque uma vaga na Copa do Brasil representa milhões de reais em premiações futuras. O que parecia um torneio deficitário pode terminar se transformando em um excelente investimento.

A bola rola às 20 horas, no Estádio da Ressacada.

A arbitragem será do paulista João Vitor Gobi, com VAR comandado por Rodrigo Carvalhaes de Miranda, do Rio de Janeiro.

Hoje não importa mais se a Copa Sul-Sudeste teve pouco público, pouca repercussão ou pouco prestígio.

Hoje vale taça. Vale vaga na Copa do Brasil. Vale Avaí. Vale Chapecoense. Vale Santa Catarina.

E quando a bola começa a rolar, toda crítica fica do lado de fora do estádio.

Porque decisão é decisão.

Junior Moresco

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Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

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