Falando de Futebol – por Junior Moresco
O que se viu não foi só uma derrota. Foi um retrato do abandono. Foi constrangedor. Foi patético e aqui não tem outra palavra que encaixe melhor.
O Figueirense virou um time sem alma, sem organização e, pior, sem respeito por quem ainda carrega esse clube nas costas: o torcedor. Mais de 4 mil pessoas numa segunda-feira fria… isso não é público, isso é resistência. Isso é paixão de verdade. E o que recebem em troca? Um espetáculo deprimente.
Um elenco inchado, com mais de 50 “jogadores”, mas que em campo parece um grupo de pelada desorganizada. Não existe padrão, não existe entrega, não existe nada. E isso tem nome e sobrenome.
A responsabilidade passa diretamente por Daniel Kaminski e Rafael Franzoni. São eles que montaram esse elenco, são eles que sustentam esse cenário. Se houvesse um mínimo de responsabilidade com a história do clube, o caminho seria um só: reconhecer o fracasso e sair. Mas não… permanecem, assistindo o clube afundar.
Dentro de campo, o que se vê beira o amadorismo. Jogador tentando bicicleta com o time sendo atropelado por 3 a 0. Decisões inexplicáveis. Erros técnicos básicos. Falta de leitura de jogo. Falta de tudo. É um time que não compete, não reage, não respeita o próprio escudo.
Enquanto isso, do outro lado…
O Barra FC dá uma aula. Organização, seriedade, comprometimento. Um clube que sabe o que quer, que tem comando, que tem direção alinhada com o campo. Veio a Florianópolis e dominou. Não foi sorte, não foi acaso, foi competência.
E aí entra outro ponto que não dá mais pra engolir.
A omissão da Federação Catarinense de Futebol, na figura do presidente Rubens Angelotti.
Como se aceita um jogo entre dois clubes catarinenses com arbitragem de fora — e ainda por cima de nível baixíssimo? Isso não é só erro. Isso é falta de posicionamento, falta de defesa dos próprios clubes. Santa Catarina precisa se respeitar. E quem está à frente da Federação tem obrigação de proteger o futebol do estado, não de fazer média com outras federações.
Quem viveu bastidor sabe: futebol não se ganha só dentro de campo. Sem voz, sem força política, sem cobrança… o prejuízo vem. E está vindo.
Hoje, o torcedor do Figueirense não está só frustrado. Está cansado. Cansado de promessas, cansado de incompetência, cansado de ver um clube gigante sendo tratado como qualquer coisa.
O que aconteceu não pode ser tratado como “mais um jogo ruim”.
É sinal claro de um clube perdido, dentro e fora de campo.
E enquanto não houver mudança de postura, de comando e de responsabilidade…
a tendência é só uma: piorar.
Falando de Futebol – por Junior Moresco
