Falando de Futebol – por Junior Moresco
A Chapecoense fez o que poucos conseguem no Heriberto Hülse: soube ser cirúrgica, suportar a pressão e vencer fora de casa. Não foi um jogo de encantamento, mas foi de inteligência competitiva. E, em mata-mata, isso vale ouro.
O Criciúma começou melhor, empurrou a Chape nos primeiros minutos, mas bastou o Verdão se organizar para mudar o cenário. Quando teve as chances, não perdoou. Everton e Marcinho definiram um primeiro tempo perfeito, potencializado pela expulsão de Gui Lobo, que pesou — e muito — no rumo da partida.
No segundo tempo, a Chapecoense optou por se proteger demais. Chamou o adversário, correu riscos desnecessários e quase pagou caro. O gol de Waguininho reacendeu o Tigre e colocou o estádio no jogo. Ainda assim, quando foi exigida, a defesa respondeu, com destaque para Victor Caetano salvando em cima da linha no último lance, símbolo de um time que soube sofrer para vencer.
Diante de 8.353 torcedores, a Chape não foi brilhante, mas foi madura, eficiente e competitiva. Levou para casa uma vitória grande, pesada, dessas que não aparecem só no placar, mas no contexto do campeonato.
E essa atuação reforça algo que já vinha sendo dito antes mesmo do início da competição: pela estrutura, pelo elenco e por estar na Série A, a Chapecoense tem obrigação de, no mínimo, disputar a final do Campeonato Catarinense. Qualquer coisa abaixo disso será frustração. O peso da camisa exige mais — e, até aqui, a Chape começa a mostrar que sabe disso.
