Falando de Futebol por Junior Moresco
Chapecoense prejudicada, arbitragem sem critério e uma Federação que não representa ninguém
Há muito tempo venho chamando a atenção dos dirigentes e torcedores catarinenses para um problema que parece não ter fim: a fragilidade da representatividade política e institucional do futebol de Santa Catarina nos bastidores do futebol brasileiro.
O presidente da Federação Catarinense de Futebol, Rubens Angelotti, o Rubinho, gosta de ostentar o cargo de vice-presidente da CBF, mas quando os clubes catarinenses precisam de defesa, respaldo ou simplesmente respeito, o silêncio é ensurdecedor.
O que aconteceu neste domingo na partida entre Palmeiras e Chapecoense foi uma verdadeira aberração da arbitragem brasileira.Após o gol de empate da Chapecoense, o VAR, comandado por Antonio Magno Lima Cordeiro, levou vários minutos para analisar o lance. Depois de toda a revisão, o gol foi validado. O árbitro de campo, Felipe Fernandes de Lima, confirmou a decisão. O jogo deveria seguir normalmente.
Mas não foi isso que aconteceu.
O zagueiro Murilo, do Palmeiras, cercou o árbitro, reclamou de forma exaltada, pressionou, gesticulou, contestou a decisão em campo e, de forma inacreditável, o árbitro resolveu voltar ao monitor para uma nova análise. O resultado todos já sabem: gol anulado.
Fica a pergunta que o torcedor catarinense faz há anos: se fosse do outro lado, aconteceria a mesma coisa? Quantas vezes vimos decisões semelhantes favorecerem os clubes do eixo Rio-São Paulo? Quantas vezes Santa Catarina fica com a sensação de que, na dúvida, a interpretação quase sempre pesa contra nossos representantes?
Não se trata de procurar desculpas para a campanha da Chapecoense. Pelo contrário.
A Chapecoense faz uma Série A desastrosa. São dez partidas sem vencer, apenas uma vitória em toda a competição, seis empates, dez derrotas e a última colocação com apenas nove pontos conquistados. Os números são péssimos e refletem uma campanha muito abaixo do que a torcida merece.
Mas uma coisa não anula a outra.
A Chapecoense tem cometido erros dentro de campo durante toda a competição. Porém, neste domingo, foi prejudicada por uma arbitragem confusa, insegura e sem critérios claros.
Como se não bastasse, pouco depois a Chape ainda teve a chance de virar o jogo em uma cobrança de pênalti. Quando a fase é ruim, parece que nada dá certo. Bolasie bateu forte, a bola explodiu no travessão e a oportunidade foi desperdiçada.
A Chapecoense precisa melhorar muito para sonhar com a permanência na Série A. Precisa jogar mais, pontuar mais e vencer partidas. Mas o futebol também exige justiça.
E o que se viu hoje foi mais um capítulo de um filme que o torcedor catarinense conhece muito bem: decisões polêmicas, falta de força política nos bastidores e a sensação de que os clubes do Estado seguem lutando sozinhos contra um sistema que raramente os respeita.
Junior Moresco
Falando de Futebol
