Falando de Futebol – por Junior Moresco
Eu respeito todos os clubes. Respeito mesmo. Futebol é competição, é campo, é bola rolando.
Mas ser eliminado duas vezes na mesma competição pelo mesmo adversário, sendo clube de Série B do Brasileiro? Isso não é detalhe. Isso é vexame.
O Avaí Futebol Clube teve duas oportunidades no Estadual. Duas, caiu nas Oitavas do Catarinense e depois teve a chance de buscar o terceiro lugar e uma vaga na Copa do Brasil. Fez o dever contra o Santa Catarina, venceu os dois jogos… e quando precisava dar resposta grande, caiu novamente para o Camboriú Futebol Clube.
E caiu pequeno.
No Scarpelli, perdeu por 1 a 0. E foi barato. O Camboriú perdeu pênalti, acertou bola na trave, foi mais perigoso o jogo inteiro. O goleiro Vavá praticamente não fez defesa. Mais de cem minutos de partida e o Avaí não conseguiu impor respeito dentro de casa.
Isso dói. E precisa doer.
Porque estamos falando de um clube que disputa Série B nacional. Não pode tratar eliminação como algo comum. Não pode aceitar ser dominado duas vezes pelo mesmo adversário dentro da mesma temporada estadual.
E aqui faço questão de elogiar o Camboriú.
Treina em uma cidade, joga em outra, estrutura menor, orçamento menor e mesmo assim demonstra organização, competitividade e personalidade. O Cambura não se apequenou em nenhum momento. Pelo contrário: jogou como quem acredita no trabalho. E colheu o resultado.
O Camboriú agora espera o vencedor de Brusque x Criciúma para decidir a terceira colocação do Estadual – Taça ACESC 70 anos. Uma disputa importante, que vale vaga e prestígio.
Mas aí entra o ponto que precisa ser falado.
Em um regulamento no mínimo curioso…
Se o Avaí tivesse classificado, a decisão seria em jogo único.
Como deu Camboriú, a final será em duas partidas.
E eu pergunto: o critério é técnico ou é conveniência?
O futebol precisa de regulamento claro, igual para todos e definido antes da bola rolar — sem interpretação, sem adaptação no meio do caminho.
O Camboriú, que já mostrou força ao longo da competição, agora aguarda seu adversário para mais uma decisão. Independentemente do formato, vai para o confronto com moral.
Mas que fica a reflexão… fica, no futebol, a emoção é bem-vinda, a incoerência, não. Mérito total.
No lado do Avaí, o único que demonstrou indignação foi Zé Ricardo. Correu, marcou, jogou, chamou de vexame no final. E está certo. É vexame mesmo.

O que me preocupa é o silêncio. Não vejo revolta pública de dirigentes. Não vejo técnico inconformado. Parece que perder virou rotina aceitável na Capital. E não é.
Falo também olhando para o cenário geral, onde Figueirense Futebol Clube vive turbulências semelhantes. O futebol da Capital precisa reagir. Precisa recuperar brio, identidade, vergonha esportiva.
O Avaí teve duas chances de levantar algo no Estadual. Não aproveitou nenhuma.
E quando a camisa pesa menos que deveria, o adversário cresce.
O Camboriú cresce. O Avaí precisa acordar.
Porque clube grande não pode achar normal cair duas vezes do mesmo jeito.
Assino embaixo: foi vexame. E quem ama o clube tem obrigação de dizer isso.
Junior Moresco
Falando de Futebol
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