Falando de Futebol por Junior Moresco
Para quem pensa que disputar a Série C é fácil, basta olhar para os números das rendas líquidas dos clubes ao longo da competição. O levantamento mostra uma realidade preocupante: mesmo entre equipes que conquistaram o acesso, o saldo das bilheterias pode terminar no vermelho.
O Maringá, que subiu para a Série B, teve o maior prejuízo entre os clubes analisados: R$ 591.168,90 (quinhentos e noventa e um mil, cento e sessenta e oito reais e noventa centavos). A Ferroviária, que também garantiu o acesso, aparece em seguida, com saldo negativo de R$ 412.961,65 (quatrocentos e doze mil, novecentos e sessenta e um reais e sessenta e cinco centavos).
É uma situação que chama a atenção. Os clubes alcançam o objetivo esportivo e sobem de divisão, mas chegam à Série B carregando um peso financeiro considerável. Sem planejamento e novas fontes de receita, o salto de categoria pode se transformar em mais um desafio e, em muitos casos, a equipe acaba voltando à Série C após apenas uma temporada.
A explicação passa pelo custo de cada partida como mandante. Mesmo com público nas arquibancadas, despesas com operação, estádio e organização podem reduzir bastante o valor que sobra para o clube. No futebol brasileiro, vencer dentro de campo nem sempre significa fechar as contas no azul.
Na outra ponta do levantamento, o Santa Cruz lidera entre os clubes com saldo positivo: R$ 3.867.234,32 (três milhões, oitocentos e sessenta e sete mil, duzentos e trinta e quatro reais e trinta e dois centavos). O Paysandu aparece em segundo, com R$ 3.402.492,83 (três milhões, quatrocentos e dois mil, quatrocentos e noventa e dois reais e oitenta e três centavos). Mesmo sem conquistar o acesso, o clube paraense teve um resultado expressivo nas bilheterias.
Santa Cruz e Paysandu mostram a força que uma torcida presente pode ter na arrecadação. Ainda assim, a diferença entre os clubes também revela realidades muito distintas dentro da mesma competição: enquanto alguns conseguem transformar público em receita, outros acumulam prejuízos apesar da campanha vitoriosa.
Entre os catarinenses, o Brusque terminou na quinta posição do ranking de renda líquida, com saldo positivo de R$ 162.812,70 (cento e sessenta e dois mil, oitocentos e doze reais e setenta centavos). O Figueirense ficou em sexto, com R$ 152.870,92 (cento e cinquenta e dois mil, oitocentos e setenta reais e noventa e dois centavos), e o Barra aparece em oitavo, com R$ 64.812,08 (sessenta e quatro mil, oitocentos e doze reais e oito centavos).
Os números ajudam a dimensionar o tamanho do desafio que é disputar a Série C. A competição exige investimento, estrutura e planejamento, mas as receitas de bilheteria não garantem, por si só, estabilidade financeira. O futebol brasileiro precisa discutir com urgência como tornar as competições mais sustentáveis para os clubes, para que o acesso represente crescimento também fora de campo.
