Falando de Futebol por Junior Moresco
O que aconteceu ontem em Brusque foi uma vergonha para o futebol catarinense. As imagens correram o país e deixaram uma pergunta inevitável: como uma partida decisiva da Série C chegou a esse ponto?
Depois do gol do Paysandu, a confusão tomou conta das arquibancadas. O setor destinado à torcida visitante apresentou problemas estruturais e a partida foi interrompida por segurança. Após mais de uma hora e meia de paralisação, o jogo acabou adiado para hoje, com portões fechados. Ferroviária e Inter de Limeira também foram afetados, embora não tivessem qualquer relação com as condições do estádio em Brusque. uol.com.br
É preciso apurar tudo: quantos ingressos foram vendidos, qual era a capacidade liberada, que laudos e vistorias estavam em vigor e quem era responsável por cada decisão. A segurança do torcedor não pode ser tratada como detalhe. E, até que esses fatos sejam esclarecidos, ninguém deveria usar a superlotação como explicação definitiva.
Mas a Federação Catarinense de Futebol também precisa se manifestar. Mesmo que a responsabilidade direta pela estrutura do estádio ainda tenha de ser apurada, a entidade tem o dever de cobrar transparência e representar o futebol do Estado. Seu presidente, Rubinho, deveria vir a público e explicar que providências cobrará. O silêncio diante de uma crise dessa dimensão só aumenta a indignação.
As imagens do diretor de competições Carlos Crispim circulando pelo estádio sem que o público recebesse respostas claras reforçaram a impressão de desorganização. Em um momento tão grave, dirigentes precisam transmitir segurança, informação e liderança.
Também circula a alegação de que a Federação fica com 10% da renda. Isso precisa ser esclarecido com números e documentos: se procede, que a entidade explique a base e a destinação desse percentual; se não procede, que apresente os dados. Em qualquer cenário, receita de bilheteria jamais pode pesar mais do que a segurança de quem compra ingresso e vai ao estádio.
E há outro absurdo: Brusque e Paysandu fizeram todo o caminho até uma partida decisiva, mas agora terão de concluí-la sem torcida. O torcedor, que não causou os problemas estruturais, perde o direito de acompanhar o jogo justamente no momento mais importante.
O futebol catarinense merece respeito. A Federação e seus dirigentes precisam responder às perguntas, cobrar responsabilidades e mostrar que aprenderam com o que aconteceu. Depois do vexame de ontem, não cabem notas vagas nem silêncio: o torcedor merece explicações.
