Falando de Futebol – por Junior Moresco
Opinião, bastidores e paixão pelo jogo
Se você é torcedor de Avaí, Criciúma, Concórdia ou Santa Catarina e achou que o Campeonato Catarinense havia terminado após a eliminação nas oitavas, a Federação avisou: não acabou. O futebol catarinense resolveu esticar a corda mais uma vez.
Vem aí o quadrangular da Taça Acesc – 70 anos, competição que colocará esses quatro clubes novamente em campo. O campeão ficará com o terceiro lugar geral e herdará uma vaga na Copa do Brasil de 2027. No papel, vale muito. Na prática, soa forçado.
Os confrontos já estão definidos pelo regulamento:
Criciúma x Concórdia, com ida no Oeste e volta no Heriberto Hülse.
Avaí x Santa Catarina, primeiro jogo em Rio do Sul e decisão na Ressacada.
Para os clubes, não há discussão: vaga em Copa do Brasil é dinheiro, calendário e sobrevivência. Para quem administra, faz sentido. Para quem joga, é obrigação. Mas para o torcedor… aí começa o problema.
O Catarinense já terminou emocionalmente. O torcedor já digeriu a eliminação, virou a chave, perdeu o encanto. Criar mais uma fase depois do “fim” soa como excesso de regulamento e falta de sensibilidade com quem sustenta o espetáculo.
Arquibancada não se convoca por tabela. Paixão não se impõe por decreto.
Resta saber até que ponto o torcedor vai encampar esse quadrangular — ou apenas assistir, por obrigação, a mais um capítulo que poucos pediram.
Porque no futebol, quando a emoção acaba, o jogo continua… mas o silêncio costuma falar mais alto.
O quadrangular pode até valer vaga, mas nasce sem alma — e futebol sem alma raramente encontra torcida.
