O Avaí foi ao Recife e voltou dos Aflitos com mais uma atuação muito abaixo do que a camisa do clube exige. A derrota por 1 a 0 para o Náutico aprofunda uma campanha que já entrou para a história recente do Leão como um desastre: são 19 derrotas e 46 gols sofridos.

Não é um tropeço isolado. É o retrato de um time que passou o campeonato sem conseguir reagir, acumulando resultados ruins e empurrando o clube para uma situação desesperadora. O Avaí pode até seguir vivo na matemática, mas, dentro de campo, há muito tempo deixou de mostrar futebol de quem acredita na permanência.

E a declaração do presidente Bernardo Pessi, de que o “Avaí não vai ser humilhado”, volta agora com um peso enorme. Presidente, o torcedor quer saber: depois de uma campanha dessas, como o senhor define o que está acontecendo? O Avaí está sendo respeitado em campo? O desempenho apresentado representa a grandeza do clube?

A queda ainda não está matematicamente confirmada neste sábado: o Ceará tem uma partida atrasada e ainda pode somar pontos. A conta do Avaí é cruel: precisa vencer os dois jogos restantes e torcer para o Ceará perder os três que ainda tem pela frente. É possível no papel. Para quem acompanhou o time nesta Série B, difícil é acreditar que o Avaí consiga fazer a sua parte.

Bernardo Pessi precisa assumir a responsabilidade que cabe ao presidente. Em setembro, ele próprio declarou que assumia “a responsabilidade completa por tudo que acontece e deixa de acontecer no Avaí”. Agora, diante de uma queda iminente, o torcedor espera mais do que uma frase: espera explicações, decisões e um plano claro para reconstruir o clube.

O Avaí foi campeão da Série C em 1998 e passou décadas longe da terceira divisão. Também voltou à Série A em 2009 e permaneceu na elite até 2011, com uma campanha histórica em 2009. A possível queda de agora não apaga essa trajetória, mas torna ainda mais doloroso o tamanho do retrocesso.

Se a confirmação vier, não haverá espaço para empurrar a culpa apenas para o elenco ou para um treinador. Uma temporada não chega a esse ponto por acaso. A direção precisa explicar as escolhas, reconhecer os erros e fazer uma reformulação séria. É hora de uma limpa, de rever o planejamento do futebol e de preparar desde já uma equipe capaz de brigar pelo acesso em 2027.

O exemplo do Figueirense precisa servir de alerta: a reconstrução pode ser longa e cada ano longe da divisão desejada aumenta a dificuldade do retorno. A torcida avaiana merece mais do que promessas e contas improváveis. Merece um clube organizado, competitivo e conduzido com responsabilidade.

A derrota nos Aflitos foi mais um capítulo de uma campanha que envergonha o torcedor. Bernardo Pessi tem de responder pelo que prometeu e, principalmente, pelo que aconteceu sob sua gestão. Se o Avaí cair, a cobrança não será exagero: será consequência de uma temporada que a presidência precisa explicar.


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Junior Moresco

Sobre o Autor

Junior Moresco

Junior Moresco é um apaixonado por futebol que dedicou 17 anos de sua vida profissional ao universo do esporte, vivenciando de perto o vestiário, a arquibancada e os bastidores. Com olhar atento e respeito pela história do futebol, Junior compartilha memórias, opiniões e análises, promovendo debates e reflexões sobre o jogo dentro e fora de campo. Para ele, futebol vai muito além do placar: é paixão diária, troca e sentimento.

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