Falando de Futebol – por Junior Moresco
Antônio Pereira da Silva – Eles Fizeram História

foto credito: gazetapress - gazetapress.com.br
Hoje é dia de falar de autoridade.
Mas não aquela que se impõe no grito.
É aquela que nasce do olhar firme, da postura reta e da credibilidade construída jogo após jogo.
Falar de Tonhão é voltar a uma época épica da arbitragem brasileira. Um tempo em que o árbitro era respeitado antes mesmo de tocar no cartão. Um tempo em que o apito tinha peso, tinha voz, tinha presença.
Árbitro profissional entre 1982 e 2002, Antônio Pereira da Silva construiu uma trajetória sólida e admirável. Foram 15 anos no quadro da CBF e oito anos no quadro da FIFA, representando o Brasil em competições nacionais e internacionais, carregando no peito não apenas um escudo, mas a responsabilidade de honrar a função.
Em campo, tinha um estilo próprio. Econômico nos movimentos, inteligente no posicionamento, fazia o famoso “bico a bico” na área com uma leitura de jogo impressionante. Não precisava correr mais do que a bola — ele corria junto com o lance, sempre no lugar certo, na hora certa.
Tonhão era daqueles árbitros que não precisavam distribuir cartões para impor respeito. Bastava um olhar concentrado, um gesto firme, uma palavra curta e direta. Os atletas entendiam. Porque ali havia autoridade verdadeira, construída com caráter e coerência.
Depois de pendurar o apito, não se afastou do futebol. Pelo contrário. Assumiu papéis importantes na gestão da arbitragem. Presidiu a Comissão Estadual de Arbitragem da Federação Goiana de Futebol e também esteve à frente da Comissão Nacional de Arbitragem, ajudando a formar novas gerações e contribuindo para o crescimento técnico do país.
Eu não tive o privilégio de trabalhar com Tonhão apitando uma partida. Mas tive a honra de estar na Comissão de Arbitragem Catarinense quando ele assumiu a presidência da Comissão Nacional. E ali pude enxergar o homem além do árbitro.
Conversas sérias.
Comprometimento absoluto.
Respeito pela regra.
Respeito pelo futebol.
Em uma de suas passagem para palestar com Arbitros Catarinense, um dos pedidos que me fez foi ir até Nova Trento visitar o Santuario de Santa Paulina, foi super bacana após terminado todos compromissos fomos eu, Tonhão e Nilson Monção para que eles pudesse conhecer Santa Paulina, momento que guardo até hoje comigo.

Tonhão representa uma geração que ajudou a consolidar a arbitragem brasileira como referência. Um tempo em que a autoridade vinha da postura, não da exposição. Em que o árbitro fazia parte essencial do espetáculo, mas jamais buscava ser o protagonista.
Seu legado não está apenas nas partidas que apitou, mas nos profissionais que ajudou a formar e na credibilidade que deixou como marca registrada.
Hoje, quando tanto se discute a arbitragem, é importante lembrar que já tivemos homens como Tonhão. Homens que comandavam jogos com serenidade, técnica e personalidade.
E isso, meus amigos, não se aprende apenas em curso.
Isso se constrói com caráter.
Eles Fizeram História.
